sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Os Talentos da Região de Góis

Nas dobras profundas da nossa serra se escondem, por vezes, aptidões surpreendentes e se ocultam talentos fantásticos que mal podíamos adivinhar a sua existência, ali debaixo do nosso nariz, mesmo quando a chuva diluviana cai, ou quando o astro-rei se inclina impiedosamente sobre os montes, um talento destes se pode manifestar quando menos esperamos. Ele há coisas que nos surpreendem quando menos esperamos, até quando a lua desponta atrás dos montes e tenta' ocultar-nos, por ciúmes, as estrelas mais brilhantes do firmamento.
Sempre nos aceitámos como oriundos duma região culturalmente pouco desenvolvida face à escassez de autores conhecidos na nossa praça, apesar, destes poucos, nos merecerem o maior apreço e consideração. Por outro lado, em jeito de recompensa, temos a generosidade da natureza que nos brinda, todos os dias, com os seus encantos. Acontece que os talentos populares nem sempre se levantam do seu recatado lugar, nem são muito dados a emergirem do seu cómodo anonimato. Atitude que mal podemos compreender, já que o belo só passa a sê-lo quando se é dado a conhecer, contudo respeitamos tal posição. 'pois é da condição humana.
Ainda mal refeitos da surpresa que fomos acometidos, não queremos nem podemos ficar reféns da ocultação das grandes potencialidades dum poeta popular da nossa região, pouco ou nada conhecido, que cultiva não só a arte de rimar, como ainda tem a capacidade de transformar qualquer história em poesia, dentro do seu alto e refinado gosto seguindo o seu entendimento. Esta faceta já muito rara, não é comum, nem está ao alcance de qualquer mortal. Trata-se duma aptidão própria de alguém que, durante a sua vida, cultivou este género literário.
Estamos a falar do nosso amigo Ernesto Rosa do Corterredor, que ainda há bem pouco tempo nos obsequiou com um poemário concebido e extraído da história do livro de "O Rasto dos Barrões", do qual não resistimos a transcrever apenas uma estrofe dos dezoito poemas que escreveu: " Nas Mestras ao fundão, a norte/ era há muito venerada/ senhora da Boa Morte/ deixou de ser festejada/ a lenda foi praticada/ mas com um pouco de
sorte/ creio não foi esborratada/ contudo menosprezada/ a nova causou desnorte". E em jeito de esclarecimento e afirmação remata:
"Jamais alguém pode ter/ a mesma visão do que eu/ donde me encontro a ver/o ângulo é tão-só meu."
Para que se conste, aqui deixamos este pequeno lamiré das capacidades do ainda pouco conhecido, António Aleixo" do Corterredor de Góis, cujo versejar contém alguns dos seus ingredientes - remoques e insinuações mordazes -, cultivadas, com toda a maestria, pelo célebre poeta popular algarvio. O nossa estupefacto, mal se pôde conter, quando nos dermos conta que buscávamos noutras paragens aquilo que tínhamos à nossa porta, um poeta com o valor do Ernesto Rosa, nosso conterrâneo. Ele há coisas! ...
Adriano Pacheco
in Jornal de Arganil, de 22/10/2009

Etiquetas: , ,

domingo, 3 de maio de 2009

Porque é Dia da Mãe... poemas e rosas

PALAVRAS PARA A MINHA MÃE

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.

José Luís Peixoto, A Casa, a Escuridão


SÓ POR ISSO, MÃE

Mesmo que a noite esteja escura,
Ou por isso,
Quero acender a minha estrela.

Mesmo que o mar esteja morto,
Ou por isso,
Quero enfunar a minha vela.

Mesmo que a vida esteja nua,
Ou por isso,
Quero vestir-lhe o meu poema.

Só porque tu existes,
Vale a pena!

Lopes Morgado, Mulher Mãe


É NOITE, MÃE

As folhas já começam a cobrir
o bosque, mãe, do teu outono puro...
São tantas as palavras deste amor
que presas os meus lábios retiveram
pra colocar na tua face, mãe!...

Continuamente o bosque se define
em lividez de pântanos agora,
e aviva sempre mais as desprendidas
folhas que tornam minha dor maior.
No chão do sangue que me deste, humilde
e triste, as beijo. Um dia pra contigo
terei sido cruel: a minha boca,
em cada latejar do vento pelos ramos,
procura, seca, o teu perdão imenso...

É noite, mãe: aguardo, olhos fechados,
que uma qualquer manhã me ressuscite!...

António Salvado, Difícil Passagem


QUANDO EU FOR PEQUENO

Quando eu for pequeno, mãe,
quero ouvir de novo a tua voz
na campânula de som dos meus dias
inquietos, apressados, fustigados pelo medo.
Subirás comigo as ruas íngremes
com a certeza dócil de que só o empedrado
e o cansaço da subida
me entregarão ao sossego do sono.

Quando eu for pequeno, mãe,
os teus olhos voltarão a ver
nem que seja o fio do destino
desenhado por uma estrela cadente
no cetim azul das tardes
sobre a baía dos veleiros imaginados.

Quando eu for pequeno, mãe,
nenhum de nós falará da morte,
a não ser para confirmarmos
que ela só vem quando a chamamos
e que os animais fazem um círculo
para sabermos de antemão que vai chegar.

Quando eu for pequeno, mãe,
trarei as papoilas e os búzios
para a tua mesa de tricotar encontros,
e então ficaremos debaixo de um alpendre
a ouvir uma banda a tocar
enquanto o pai ao longe nos acena,
lenço branco na mão com as iniciais bordadas,
anunciando que vai voltar porque eu sou pequeno
e a orfandade até nos olhos deixa marcas.

José Jorge Letria, O Livro Branco da Melancolia


POEMA À MÃE

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade, Os Amantes sem Dinheiro

Etiquetas: ,

Hoje, na Feira do Livro

03 de Maio [Domingo]

10:30 – Abertura da Feira
15.00 – Animação “Tocador de Realejo e Malabarista” - Companhia Marimbondo
18:00 – Encerramento da Feira


Os livros. A sua cálida,
terna, serena pele. Amorosa
companhia. Dispostos sempre
a partilhar o sol
das suas águas. Tão dóceis,
tão calados, tão leais.
Tão luminosos na sua
branca e vegetal e cerrada
melancolia. Amados
como nenhuns outros companheiros
da alma. Tão musicais
no fluvial e transbordante
ardor de cada dia.

Eugénio de Andrade (1923-2005
)

Etiquetas: ,

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Feira do Livro

Sob o signo “Cidadania” irá realizar-se de 29 de Abril a 04 de Maio a XIIIª edição da Feira do Livro de Góis.
A inauguração deste certame terá lugar no dia 29 de Abril, no Largo Francisco Inácio Dias Nogueira [Lg. Do Pombal], pelas 14.00 horas, estando presente nesta cerimónia o escritor José Jorge Letria.


Os Livros

Apetece chamar-lhes irmãos,
Afagá-los com as mãos,
Abri-los de par em par,
Ver o Pinóquio a rir
E o D. Quixote a sonhar,
E a Alice do outro lado
Do espelho a inventar
Um mundo de assombros
Que dá gosto visitar.
Apetece chamar-lhes irmãos
E deixar brilhar os olhos
Nas páginas das suas mãos.


José Jorge Letria
in Pela casa fora...



Os livros são a metade dos sonhos que tu tens...

José Jorge Letria
in Ler, doce ler


O Pequeno Pintor sabe que os livros às vezes sabem muito mais do que nós supomos que eles sabem. Abre o livro e viaja nele, como se viajasse à proa de um barco enfeitado com fitas coloridas do mês de Maio.

- Gosto que penses que sou um barco - diz-lhe o livro, balançando para os lados como se fosse um barco a sério.

O Pequeno Pintor responde-lhe:

- Leva-me até ao fim das tuas páginas.

E o livro leva-o. Quando chega a uma baía sem nome, pára para descansar. Poisa-lhe uma gaivota dentro das páginas e ele sente cócegas e ri muito. Quando a história acaba, o Pequeno Pintor e o livro aprenderam mais uma viagem.


José Jorge Letria
in O Pequeno Pintor sabe...

Etiquetas: , ,

sábado, 25 de abril de 2009

Abril é hoje e sempre

A nossa História recente está dividida num antes e num depois.

O antes era um tempo de muito pouco. Era um tempo de lugares muito pequenos e sem luz. Um tempo cinzento e de penumbra. Um tempo sem risos soltos e francos, sem portas nem janelas. Era um tempo muito pequeno e asfixiante. Um tempo sem fim, lento e torturador. Era um tempo imenso de sonhos e utopias reprimidas a quererem romper os lugares pequenos e a quererem voar num mundo de céus azuis sem nuvens e sem limites de esperanças e de anseios. Mas este já é o tempo depois. O tempo depois de estarmos a construir em democracia e liberdade e que só o tempo futuro poderá dizer o que é e como é.

Chama-se Abril ao tempo/passagem entre o antes e o depois. Abril é o tempo de cravos vermelhos a explodirem em golfadas de alegrias e sonhos contidos no antes, a fazerem a travessia para o depois. Abril é a Primavera imensa, carregada de emoções indizíveis e de céus azuis infinitos e por descobrir. Abril é esperança. Abril é a liberdade. Abril é uma paleta de emoções que celebramos para que não se apague ou se perca nas teias do esquecimento.

Hoje, mais do que nunca, a essência do 25 de Abril deve estar presente nas nossas vidas. Acompanhar os ventos de mudança que sopram actualmente implica adoptarmos novos comportamentos, novas posturas, tentarmos ver mais além...
Falar do 25 de Abril é falar sempre de um ideal que, como tal, nunca se cumpre na sua expressão máxima.
Mas o importante, depois de passados 35 anos deste marco na vida do nosso país, é, não apenas recordar, mas sim continuar a tentar construir Abril: é lutar, à nossa escala, por uma sociedade mais justa e solidária.


ABRIL DE SIM, ABRIL DE NÃO

Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.

Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.

Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.

Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.

Manuel Alegre

«Não me resigno nem me conformo na batalha pela qualidade da democracia portuguesa. Temos de deixar aos nossos filhos e aos nossos netos um regime em que sejamos governados por uma classe política qualificada, em que a vida pública se paute por critérios de rigor ético, exigência e competência, em que a corrupção seja combatida por um sistema judicial eficaz e prestigiado.
Decorridos mais de trinta anos sobre a queda de um regime autoritário, Portugal deve pensar-se como democracia amadurecida. Uma democracia em que o escrutínio dos poderes esteja assegurado por meios de comunicação social isentos e responsáveis.
É urgente reinventar o espírito de cidadania, o que exige uma mudança da nossa cultura política. (...)
É necessário que os agentes políticos se empenhem mais na prestação de contas aos cidadãos, que os Portugueses conheçam e compreendam o sentido e os objectivos das medidas que vão sendo adoptadas, que exista clareza e transparência na relação entre o poder político e a comunidade cívica.
É preciso que exista uma clara separação entre actividades políticas e actividades privadas, que as situações de conflito de interesses sejam afastadas por imperativo ético e não apenas por imposição da lei

Excerto do discurso de Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República no 33º aniversário do 25 de Abril






Trinta e cinco anos de democracia e os cravos murcharam... no nosso país!

Os cravos de Abril, que lindos que eram!
Vermelhos! Luzentes de chama vibrante!
No cano das armas, aonde os puseram,
O povo os fitava, de olhar deslumbrante!

Que sonho tão lindo, num dia cantante,
Da Vila Morena, que todos esperam
Com honra e com brio, num bem consagrante,
Que a guerra termine, onde tantos morreram!

Manhã radiosa, e o povo dizia:
- Que bom que já temos a Democracia!
Ó meu Portugal, irás ser mais feliz!

Seria uma Graça! Mas a liberdade
Foi mal entendida… sem civilidade
Os cravos murcharam no nosso País!

Clarisse Barata Sanches

Etiquetas: , , , ,

sexta-feira, 13 de março de 2009

Poemas da Primavera

GLÓRIA

Depois do Inverno, morte figurada,
A primavera, uma assunção de flores.
A vida
Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores.

Miguel Torga


A FONTE

Com voz nascente a fonte nos convida
A renascermos incessantemente
Na luz do antigo sol nu e recente
E no sussurro da noite primitiva.

Sophia de Mello Breyner


Olhos postos na terra, tu virás
no ritmo da própria primavera,
e como as flores e os animais
abrirás as mãos de quem te espera.

Eugénio de Andrade


ANUNCIAÇÃO

Surdo murmúrio do rio,
a deslizar, pausado, na planura.
Mensageiro moroso
dum recado comprido,
di-lo sem pressa ao alarmado ouvido
dos salgueirais:
a neve derreteu
nos píncaros da serra;
o gado berra
dentro dos currais,
a lembrar aos zagais
o fim do cativeiro;
anda no ar um perfumado cheiro
a terra revolvida;
o vento emudeceu;
o sol desceu;
a primavera vai chegar, florida.

Miguel Torga

Etiquetas: , ,

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Aldeia Velha

Eu tenho por ela uma certa afeição,
Sinto tremer o coração
Cheinho de emoção.
Sempre que me falam nela
Eu pareço um barco à vela.

Gosto dela de verdade,
Por ela sinto a saudade,
O amor que me prende a ela,
O amor de um filho amado
Que não desperdiça um bocado.

Para mim não há no mundo
Com um amor mais profundo,
Terra de que possa gostar mais,
Pois é lá que estão meus pais.

Foi lá que eu nasci e cresci,
Foi lá que eu vivi
A minha pouca mocidade,
Foi lá que vi a liberdade,
O amor por cada qual
Onde tudo é igual.

É por isso que eu gosto da serra
É lá que é a minha terra,
Essa aldeia pequenina
Moça como uma menina
Com pouco tecto de telha,
Ah!... minha Aldeia Velha!...

Av. 28/12/969
H. B. M.
in Boletim Paroquial “O Colmeal”, n.º 102, de Fevereiro de 1970

Etiquetas: ,

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Rio Ceira

Sua capela gelada
Nasce nas escarpas heróicas
Da Estrela de Viriato,
Faz-se à vida e vai abrindo
Sulcos de profunda dor
Nos sopés das altanias,
Vai regando e vai sorrindo…

Serpenteando, beija os pés
De Cepos e de Fajão
Enlaça a Ribeira de Ádela
Banha, doce, o Colmeal
E, sobre um trilho arenoso
De desgaste, de beleza,
Corre para a sua princesa
Para a linda vila de Góis…

Corre corre o Rio Ceira
Para os braços dos seus irmãos
E com eles (unos) em Coimbra
Beija as tricanas lavando,
Canta o Fado dos doutores
E segue mais pachorrento
Rumo à cidade Figueira
Rumo ao seu Atlântico
Rumo aos Descobrimentos!...

Ai Ceira do meu Mondego,
No teu percurso peregrino
Quantas ribeiras abraçaste
Quantas lágrimas bebeste
Do rosto das lavadeiras
Da fronte das enxadas.

Eu sei que viste, meu Ceira
Quando lento ias passando,
Lavradores em penhascos
Nas falésias tecedeiras
Fusos feitos nas encostas
Lagares moendo sem água
Vinho pouco nas ladeiras…

Eu sei que viste, meu Ceira
Mulheres e homens crispados
No brejo da interioridade,
Viste peitos radiantes
De Viriatos e Infantes
Chamados de Lusitanos!...

José Fernandes Almeida

Etiquetas: ,

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Vila de Góis

Do alto do castelo
Temos uma linda vista
Que faz arregalar os olhos
A todo e qualquer turista.

É a costa, o castelo
São Paulo e o Cerejal
É a vila de Góis
Vila da Beira Litoral.

Tem o Mártir e a Peneda
Mesmo ali à sua beira
Banhada por um rio
Que se chama Rio Ceira.

Quando havia minério
E se fazia exploração
Chegou a ser vila rica
Nesse tempo de então.

Em termos educativos
A vila tem a Associação
Com a banda de música
E novos músicos em formação.

Na parte desportiva
Também não vai mal
Tem uma equipa de futebol
A disputar na distrital.

Os Bombeiros Voluntários
No Verão não param
Nem eles próprios sabem
Quantos fogos já apagaram.

É nesta vila de Góis
Está feita a apresentação
É a vila que mais gosto
É a vila do meu coração.

Ariednab

Etiquetas: ,

terça-feira, 18 de novembro de 2008

GÓIS: BALADA PARA TI



Não sei cantar-te um Hino de louvor,
Uma canção de Paz, tendo ilustrada
A tua velha História e o valor
Duma terra tão linda e bem formada!


Não cabe, Góis, aqui, nesta balada
O que eu queria expor-te com rigor;
Os versos que te fiz são quase nada,
À vista do que dás... com tanto Amor!


Toda envolta de verde, a velha Igreja,
A Ponte, o Rio Ceira que te beija:
Santo António, o "Castelo", o Cerejal...


A Cruz de São Tiago, por teu preito,
Fazem de ti o Hino mais perfeito
E o mais belo do nosso Portugal!

Clarisse Barata Sanches

Etiquetas: , ,

sábado, 25 de outubro de 2008

Novo blog

Apresentamos um novo blog: Cortecega.

(...)
«Cortecega, situada numa encosta
Terra do meu coração
Aos teus pés fica o rio Ceira
Na tua cabeça o Rabadão.

A serra do Rabadão
Está cheia de belezas
Cortecega, aldeia Serrana
És das mais portuguesas.»
Eugénia

Visitem!

Etiquetas: ,

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Góis: Balada para Ti

Não sei cantar-te um Hino de louvor,

Uma canção de Paz, tendo ilustrada

A tua velha Histõria e o valor

Duma terra tão linda e bem formada!



Não cabe, Góis, aqui, nesta balada

O que eu queria expor-te com rigor;

Os versos que te fiz são quase nada,

À vista do que dás... com tanto Amor!



Toda envolta de verde, a velha Igreja,

A Ponte, o Rio Ceira que te beija:

Santo António, o "Castelo", o Cerejal...



A Cruz de São Tiago, por teu preito,

Fazem de ti o Hino mais perfeito

E o mais belo do nosso Portugal!

Clarisse Barata Sanches

Etiquetas: ,

domingo, 12 de outubro de 2008

Lembrança da Pátria Góis

Cercada de montes da origem do mundo,
Na alfombra mimosa de verdes lençóis,
Nas margens de um rio, num leito profundo
Formosa avistamos a vila de Góis.

É, pois, circunscrito seu curto horizonte
De tão altas serras às sinuosidades,
Que por qualquer lado lhe ficam defronte
Quais muros de bronze contra as tempestades.

Oblonga bacia de côncavo fundo
Em várzeas, lezírias, ficou sendo a terra;
Transborda-lhe o Ceira nateiro fecundo
Que em dons de Pomona mil frutos encerra.

Abundam-lhe as águas no rio, nas fontes,
Não só cristalinas, de grato sabor;
Frondoso arvoredo, na encosta dos montes,
Lho dá puros ares, suave frescor.

Nos meses óptimos de Julho e Agosto
Tem frutas mimosas, mui bem sanzonadas;
Nos peixes do rio, delícias do gosto,
Tem trutas no ano das mais estimadas.

Precisos à vida lhe abundam agentes,
Não só humidade, mas luz e calor;
E, ou nela residem, ou viovam ausentes,
Dos filhos dispersos tem ela o amor.

Vestígios lhe sobram de antiga nobreza
Em Paços desertos, castelos feudais,
Em fontes, sepulcros de grande riqueza,
Igrejas e Pontes e até Hospitais.

Silveiras e Lemos, fidalgos diversos
A Vila tivera como donatários.
Porém, hoje em dia, seus bens são dispersos
Por compras e vendas na posse de vários.

Coeva do reino já, pois, desde a infância,
Fidalga apresenta prístinos brasões,
Fidalgos seus filhos, da negra ignorância,
Libertos vão sendo por nobres acções.

E um deles obscuro, de origens plebeias,
Do povo, quais outros, saído, portanto,
Em frase rasteira, vazia de ideias,
De longe, bem longe, lhe tece esta canto.

E diz, terminando: ó Pátria adorada,
Onde há doze lustros e mais que nasci;
Depois desta vida de si tão cansada,
Dá tu que eu deseje repousar em ti!

António Francisco Barata
1.ª edição é de 1899 e foi descoberta pelo escritor e pesquisador João Alves das Neves, que a comentou e fez republicar na revista Arganilia, dedicada aos Poetas da Beira Serra, n.º 6 e 7 (1967). A poetisa Clarisse Barata Sanches reeditou duas vezes o poema em Góis e seus Poetas.

Etiquetas: , ,

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Um abraço às nossas aldeias...


Fotografias de goisproperty.com


Dos Penedos aos Povorais,
vai o salto de um coelho...
é querer e chorar por mais,
paisagem vista ao espelho!...

A Pena não vou olvidar,
por paragem obrigatória...
da Folgosa ao Cadafaz,
é sempre a mesma história.

Para a Cerdeira a mensagem,
na Póvoa vou recordar...
onde os meus pais por miragem,
começaram, um dia, a estudar!...

Num roteiro pitoresco,
feito de simples maneira...
das Rodas nos vem o fresco,
da Cimeira e da Fundeira!...

Ao Esporão agora escrevo,
também com grande carinho;
esquecer-te, não me atrevo!...
"berço" do meu padrinho.

Para um contorno perfeito,
vou passar pela Ribeira...
num itinerário a preceito,
que nos fica ali à beira!...

Não me lembra quem lá vem,
nem disso eu faço alarde...
encosto em Cimo de Alvém,
meu pensamento, toda a tarde...

Ladeiras, por ti passei,
e isso ninguém o nega...
olho em frente, avistei
do outro lado Cortecega.

Carvalhal-Miúdo não esqueço,
calço, agora, os meus chinelos,
vou já, por qualquer preço,
com destino a Carcavelos!...

Alguns nomes de aldeias citei,
outros ficaram em carteira...
Mas para terminar me lembrei,
da povoação da Cabreira!...

Por António Martins (hoje... numa alusão incompleta ao Concelho de Góis)

Etiquetas: ,

domingo, 20 de julho de 2008

Santo António do Esporão Velho

No ano de dois mil e oito
Como é uma tradição
Fizeram-se as festas de Santo António
No bonito lugar do Esporão.

Na semana de nove de Junho
Toda a organização trabalhou
Correu às mil maravilhas
Na ornamentação nada faltou.

É como todos os anos
Santo António não podia faltar
Para ver toda essa azáfama
Do alto do improvisado altar.

No próprio dia à noite
Foi uma azáfama na cozinha
Quer a assar as febras
Quer a assar a sardinha.

Sardinha assada e febras
Bola de carne e tinto da região
Caldo verde e coscoreis
E bom bagaço do amigo Adão.

Bom baile pela noite dentro
Bons arquinhos e balões
Quer novos quer idosos
Fez dançar todos foliões.

Mais rua menos rua
Mais velho menos quelho
É bom fazer estes arraiais
Para viver o Esporão velho.

No Domingo foi a despedida
Festa com calor humano
Despediram-se com amizade
Amigos e até para o ano.

Por Ariednab
in O Varzeense, de 15/07/2008




Fotografias de Paulo Afonso

Etiquetas: , ,

domingo, 22 de junho de 2008

A Minha Aldeia

Sou do lugar do Esporão
Uma aldeia da Beira Litoral
Uns conhecem bem outros não
Outros ainda menos mal

Para todos vou dizer
O que é a minha aldeia
Como todas as outras
Não é bonita nem é feia

É o Vergadinho, o Costeira
O Valongo, o Ribeiro
A Horta, as Cavadas
Os Serrados e o Mieiro

É a Quelha, o Forcado
A Selada, a Venda-d'-além
A Fonte Seca, a Ceara
E o Vale do Velho também

No sector da industria
Os Joões e o Adão na madeira
O Jorge nos mármores
E na construção o C. Bandeira

De há uns anos para cá
Algo se vai fazendo de novo
Temos calçada e estrada de alcatrão
E em acabamentos a Casa do Povo

Podem-me chamar bairrista
Que eu não digo que não
Defendo só a minha terra
Defendo o lugar do Esporão.

Ariednab

Etiquetas: ,

sábado, 21 de junho de 2008

A Serra e o Esporão

Sopram ventos de saudade
Cai neve fria no meio da gente
Caem pálpebras na luz apagada
Unem-se corações de mão dada
E acende-se a lareira de repente

O calor liberta-se dos corações apagados
Fora de todo o conformismo
Se as luzes se acendem no meio da escuridão
É a força do regionalismo
Que vibra no lugar do Esporão

Se fores à serra vira-te ao poente
Envolve-te dessa imensidão
E se o sol te fizer deslumbrar
Não deixes de... por lá passar
P´la linda aldeia do Esporão

Fica ali, encostada ao penedo
Quando seguimos estrada fora
Se a aldeia é, acolhedora...
Muito mais é, quem lá mora!

Paxiano

Etiquetas: , ,

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Em paridade

Da França vindos e da Normandia,
então sob o domínio de Inglaterra,
quando o Renascimento principia
e a Idade-Média finalmente encerra,


em Góis pululam grandes arquitectos,
artistas de renome contratados
para levar a cabo altos projectos
ainda agora em parte conservados.


Não é para admirar que desde então
em Góis se manifeste a propensão
para o convívio internacional.


Seja qual for a cor dos estandartes,
é grato ver a gente de outras partes
buscar para viver este local!

João de Castro Nunes

Etiquetas: ,

sábado, 7 de junho de 2008

Os Penedos

Nos penedos que nos elevam
olhar aos céus
Há um deus que nos
acolhe
Num recanto luminoso
Onde a virtude
nos toca
Há um povo virtuoso


O silêncio que nos invade
Não vem do céu nem
da terra
Vem da paz que nos enleia
E no monte que semeia
O vento agreste vem
da serra


São pedras, filhas das rochas
Penedos que todos acolhe
Nesta profunda virtude
Enquanto o olhar
tudo recolhe
Nesta imensa quietude

Adriano Pacheco

Etiquetas: , ,

sexta-feira, 30 de maio de 2008

O abantesma da matriz de Góis

Num quinhentista medalhão do tecto
por Luís da Silveira encomendado
a Diogo de Castilho, o arquitecto
daqueles tempos mais solicitado,


figura decepada uma cabeça
hirsuta, feia, trágica e horrenda
constituindo uma excelente peça
com nome epigrafado na legenda.


É o bíblico Holofernes, o feroz
perseguidor do povo da Judeia
a quem Judite deu um fim atroz.


Dada a similitude das feições,
quem desconhece… fica com a ideia
de ser o Holofernes de Midões!

João de Castro Nunes

Etiquetas: ,