quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Góis – Professor dedicou-se ao concelho

Cidadãos homenagearam João Castro Nunes

“Não há buraco onde não tenha tropeçado, casa ou aldeia que não tenha visitado no concelho de Góis”, afirma a organização da homenagem a João Castro Nunes.

João Castro Nunes, professor e poeta que se dedicou ao concelho de Góis, foi alvo de uma homenagem promovida, no sábado, pelo Movimento Cidadão por Góis e Grupo de Amigos, e que contou com a colaboração da escritora Clarisse Barata Sanches e o apoio da Câmara de Góis e da ADIBER.
Das várias obras da autoria de Castro Nunes destacam-se “A Pedra Letreira”, trabalho que resultou de um estudo sobre o monumento de arte rupestre localizado em Alvares, e “A Pedra Riscada”, uma obra que fala sobre este complexo de arte rupestre que se situa em Mestras, freguesia do Cadafaz.
Em representação do Movimento Cidadãos por Góis, José Rocha Barros mostrou-se “honrado” por participar na “reunião de amigos”, lembrando que conhece o professor João Castro Nunes “há mais de 50 anos”. Também João Nogueira Ramos sublinhou que Castro Nunes tem valor enquanto “homem, intelectual, pedagogo e amigo”, acentuando que “não são precisas palavras para transmitir o que os goienses sentem” por ele”.
Na sessão foram deixados três testemunhos de alunos seus e personalidades com quem conviveu, nomeadamente de Carlos Fabião, Amadeu Carvalho e Amílcar Guerra, que dissertaram sobre a vida e obra de Castro Nunes.
Contando que o designa de “meu querido mestre”, o professor Carlos Fabião revelou que o homenageado foi uma pessoa que o marcou por tudo o que com ele aprendeu, nomeadamente através dos seus trabalhos de investigação sobre o património.
Já Amadeu Carvalho confessou que começou a ter conhecimento da sua obra através dos sonetos que enviava pela Internet. De acordo com o professor, Castro Nunes veio a ter uma grande influência na criação da Associação Cultural Alternativa, em Coimbra.
No uso da palavra, Amílcar Guerra sustentou que a reunião de amigos visou “sublinhar a grande qualidade humana do mestre”.
“O rigor, honestidade científica e empenho de Castro Nunes ganham às nossas listas intermináveis de publicações”, defendeu, recordando a sua ligação ao concelho de Góis, onde fez investigações “pioneiras para o seu tempo”, como é o caso do estudo sobre a Lomba do Canho. Contudo, “a sua acção pedagógica supera a sua obra”, considerou Amílcar Guerra, destacando que Castro Nunes “é uma pessoa excepcional, um cientista de elevado mérito, arqueólogo persistente, professor afável, em suma, é um mestre”.
A presidente da Câmara de Góis destacou que Castro Nunes “sempre se disponibilizou na defesa intransigente de interesses colectivos e no engrandecimento do bom nome de Góis”.
“Figura notável da classe científica nacional e internacional, o investigador, professor e humanista João de Castro Nunes é um exímio conhecedor do território e do património histórico-cultural do concelho de Góis”, realçou Lurdes Castanheira, explicando que “embora seja natural de Braga, unem-no fortes laços ao concelho”. Segundo a autarca, o homenageado tem colaborado com a autarquia em prol da “valorização, salvaguarda e divulgação do património arqueológico e cultural” do território, nomeadamente na publicação da obra “A Pedra Letreira”, na reimpressão do “Arquivo Histórico de Góis”, e na segunda edição de “A Pedra Riscada”.
Contando que a sessão foi o seu “doutoramento honoris causa”, Castro Nunes – que recebeu uma cópia da Pedra Letreira, dada pelo Grupo de Amigos – elogiou “a sensibilidade da sociedade goiense”, garantindo que “não havia prenda mais preciosa”.
in Diário As Beiras, de 4/11/2009

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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

HOMENAGEM AO PROFESSOR JOÃO DE CASTRO NUNES

Nestes tempos tão pouco condizentes com as honras que devem ser prestadas a méritos intelectuais indiscutíveis, a excepção foi protagonizada, em Góis, pelo “Movimento Cidadãos por Góis”, que entenderam, em boa hora, manifestar o seu apreço por um goiense afectivo: o Senhor Professor Doutor João de Castro Nunes. Referimo-nos a uma figura verdadeiramente excepcional, quer pelo seu vastíssimo saber, quer pelas enormes qualidades pessoais, de que ressalta um trato da mais refinada afectividade e da mais requintada sensibilidade. O Professor Castro Nunes tem, desde há muito, a sua excelência de Universitário, Humanista, Pedagogo, Investigador e Poeta, amplamente reconhecida. É uma Autoridade, daquelas que só se tornam possíveis construir através da dedicação integral, sem canseiras nem desânimos, a uma vida de estudo e de meditação criativa. O saber não se improvisa, antes se constrói; não se apregoa, antes se comprova através de publicações e comunicações que sirvam para fazer aumentar o conhecimento. O saber não é uma vanglória, mas um mérito que ilumina a vida de quem o faz e de quem o recebe. O Professor Castro Nunes é, sem contradita possível, um Homem do Saber, uma Personalidade da Cultura. A sua estatura mental permitiu que se dividisse, sempre com excepcional qualidade, pela Arqueologia, pela Linguística, pela Literatura e pela História. Deambulou por Universidades de antigas colónias portuguesas e da vizinha Espanha, antes de se fixar em Lisboa, no ensino superior público e privado. A ALTERNATIVA deve-lhe muito, tanto pelo incentivo das suas palavras de encorajamento, como pela solidariedade manifestada em todas as horas. Por isso, o Presidente da Direcção da nossa Associação esteve em Góis, no dia 31 de Outubro, juntando o seu “Bem-Haja” às vozes de outros seus Amigos, que em Góis o quiseram honrar e enaltecer. De Góis era natural a admirável Esposa do Professor Castro Nunes, já falecida, mas por ele sempre lembrada. Em Góis, nesta sessão, estiveram também os Engenheiros João Nogueira Ramos (Comissão Organizadora da homenagem), José Rocha Barros (Movimento Cidadãos por Góis), Dr. José António Pereira de Carvalho (Presidente da Assembleia Municipal da CM de Góis), Drª Maria de Lurdes Castanheira (Presidente da CM de Góis), Prof. Doutora Helena Bueso (Pró-Reitora da Universidade de Lisboa) e os Prof. Doutores Amílcar Guerra e Carlos Fabião (discípulos do Professor João de Castro Nunes). Foi um “encontro de Amigos” – como o homenageado fez questão de referir – bonito, fraterno e comovente. O Senhor Professor Doutor João de Castro Nunes contribuiu, uma vez mais, para que os nossos corações regressassem mais humanos e as nossas mentes viessem mais cheias de luz.

OBRIGADO, PROFESSOR ! MUITO OBRIGADO!
in http://alternativa-acdsh.blogspot.com

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Convite


A homenagem terá lugar no próximo dia 31 pelas 15H30 no Anfiteatro da Adiber.

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Homenagem ao Doutor Castro Nunes

O Movimento Cidadãos por Góis organiza, com o apoio de um grupo de amigos do Professor Doutor Castro Nunes e com a Colaboração da Câmara Municipal de Góis e da Adiber uma sessão em sua homenagem.

Fazem parte do grupo de amigos as seguintes individualidades: Prof. Doutor Amadeu Carvalho Homem, Prof. Doutor Amílcar Guerra, Armando Gualter de Campos Nogueira, Prof. Doutor Carlos Fabião, Clarisse Barata Sanches, Fernando Carvalho Ribeiro, Professora Doutora Helena Buescu, Doutora Inês Vaz Pinto, Mestre João Alves Simões, Dr. João Castro Nunes (filho), em nome da sua família, Comendador João Estrada, Eng. João Nogueira Ramos, Prof. Doutor João Senna-Martinez, Prof. José Dias Coimbra, Eng. José da Rocha Barros, Doutor Luís Raposo e Arquitecta Maria Margarida Santos Coelho.

Esta homenagem justifica-a a sua actividade profissional e intelectual, de professor e humanista, nomeadamente em benefício do concelho de Góis e concelhos limítrofes.

A homenagem terá lugar no próximo dia 31 pelas 15H30 no Anfiteatro da Adiber.
in www.portaldomovimento.com

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domingo, 15 de março de 2009

"Espólio Arqueológico da Lomba do Canho" - Repondo a Verdade

Face ao relato vindo a lume, sem indicação de autor, no "Jornal de Arganil" de 12 do corrente mês de Março (última edição), cabe-me dizer muito sucintamente o seguinte:

1º - Por ignorância ou por má-fé, se por outra razão não for, o título começa por estar crassamente errado, pois não se trata do "Espólio Arqueológico da Lomba do Canho", mas sim de todo o extenso território beirão em que, durante cerca de meio século, desenvolvi a minha actividade científica no domínio da investigação arqueológica, desde Poiares à zona raiana, só ou em colaboração com alguns dos meus discípulos, hoje distintíssimos colegas nas lides académicas.

2º - É rotundamente falso eu ter "devolvido" ao "Museu Municipal", "após insistentes diligências", que não foram do meu conhecimento, o espólio arqueológico que legitimamente estava em meu poder, pois o certo é que, pelas razões de ordem afectiva, referidas em carta registada e endereçada à Câmara Municipal (que nunca teve a hombridade de me acusar a sua recepção), eu tomei a decisão de confiar a sua guarda à Drª Regina Anacleto, para cuja residência em Arganil o transportei, com a recomendação expressa de, logo que houvesse condições, proceder à reinstalação do Museu Regional na sede do concelho, como sempre houvera sido o meu propósito, longe estando de pensar que ela, sem meu conhecimento nem acordo, o entregaria, por sua livre e exclusiva iniciativa, ao executivo camarário, quando nem de longe nem de perto havia um mínimo de condições para efectuar a sua musealização em termos de segurança e dignidade, o que pressupõe da sua parte um manifesto abuso de confiança, que eu não lhe merecia.

3º - É igualmente falso que esse espólio tenha ido directamente para um cofre do Banco Millenium "sem que as caixas tivessem sido abertas", pois a verdade é que, conforme constatei na vistoria que efectuei na companhia das minhas filhas e do vereador António Cardoso, tudo havia sido vasculhado à exaustão, havendo inclusivamente dentro das "caixas" documentos escritos em letra para mim absolutamente desconhecida, além de que faltava a parte mais valiosa da colecção, bem como uma pequena mala de couro. cuja existência sistematicamente se negava, como se não passasse de fantasia minha.

4º - Esta mala, para a qual previamente se haviam transferido "selectivamente" os materiais mais valiosos do espólio, veio depois a encontrar-se em circunstâncias nunca devidamente esclarecidas, pois os depoimentos prestados pelos arguidos, na instrução do processo da queixa-crime por mim apresentada no Tribunal Judicial de Arganil e que oportunamente serão dados à estampa, primam pela sua falta de coerência, ou seja, são contraditórios, dando cada um sua versão, incluindo a do vereador António Cardoso que se afasta daquilo que, na presença das minhas filhas, me transmitiu nas instalações dos Paços do Concelho, dúvidas não restando de que, se não fosse o meu recurso ao poder judicial, essa mala e seu valiosíssimo recheio tarde ou nunca apareceriam, passando para mim as culpas da sua apropriação… sabe-se lá por quem e com que deliberada e criminosa intenção!

5º - Contrariamente ao que se faz constar no relato, o inventário geral do acervo por mim confiado à Câmara Municipal de Arganil não foi caricatamente "descoberto" nas instalações do suposto ou inexistente Museu Municipal, mas subtraído por arrombamento, por iniciativa do vereador Mário Vale (que por sinal e por consabidas razões me deve o máximo respeito), de um armário de ferro que se encontrava nas instalações da Casa da Cultura, levando sumiço, o que não deixa de constituir um acto altamente reprovável e penalmente sujeito a procedimento criminal, pois só a mim competia agir em conformidade.

6º - Na perícia efectuada, em más condições e com assistência indesejável, por dois arqueólogos nomeados, com a minha prévia concordância, pelo Instituto Nacional de Arqueologia, constatou-se a falta ou desaparecimento de numerosas peças, tanto do núcleo entregue pela Drª Regina Anacleto ao executivo camarário como do acervo depositado nas instalações da Casa da Cultura em lamentável promiscuidade com alfaias de outra espécie, peças essas cuja lista, entretanto remetida ao Ministério Público, será oportunamente divulgada para os competentes fins policiais.

7º - Por nem sequer fazer sentido, carece liminarmente de verdade que o espólio por mim confiado à Drª Regina Anacleto não fosse acompanhado, para sua "elucidação" pessoal, pela correspondente documentação escrita (inventário, relatórios, correspondência, etc.), não me estranhando que, conforme ocorreu com a rocambolesca saga da mala, venha um dia a encontrar-se, "coberta de poeira", em qualquer cafundó residencial ou camarário.

8º - Quanto às alegadas "ofensas" … estamos conversados.

Perante o exposto e pese ao arquivamento do processo por parte do Ministério Público, que reconheceu a veracidade dos factos, mas subjectivamente não admitiu a sua "dolosidade", só me resta concluir que não dou por encerrada esta matéria, pois me assistem outros meios de fazer valer os meus direitos e razões.

Coimbra, 12 de Março de 2009.
João de Castro Nunes
in www.portaldomovimento.com

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segunda-feira, 9 de março de 2009

Desvendado o Segredo da Mala Perdida

Há um ano, a Agência Lusa divulgava em nota de imprensa, que o responsável pelo acervo do Museu Regional de Arqueologia de Arganil, Professor Doutor João de Castro Nunes, havia denunciado o desaparecimento de peças militares do período romano.

Segundo a agência noticiosa, em Janeiro de 2008, o “responsável e proprietário do acervo, denunciou também o desaparecimento de uma valiosa ara romana dedicada à divindade da indígena ilurbeda e proveniente do Concelho de góis” o que o terá levado a apresentar uma queixa crime, depois de peritagem de peritos do Ministério da Cultura.

Dado que os factos se reportavam ao mandato do Engº Rui Silva na presidência da Câmara Municial de Arganil, tanto ele como o então vereador do pelouro da Cultura, Mário Vale, foram constituídos arguidos, no processo que agora se encerrou.

Contactado pelo Jornal de Arganil, o então Presidente da Câmara que havia preferido manter o silêncio enquanto decorria o Inquérito do Magistério Público, declarou que durante o seu primeiro mandato” foi descoberto nas instalações do Municipio, o inventário do espólio da Lomba do Canho, ao que se constatou e confirmou, faltarem peças do espólio que deveriam estar no Museu Municipal”. Assim, recorda Rui Silva, o Professor Doutor Castro Nunes foi contactado e, ”após insistentes diligências”, entregou-as a Professora Doutora Regina Anacleto, em 2002, a fim de serem devolvidas ao Museu Municipal o que se veio a verificar, “já durante o meu segundo mandato” tendo as caixas onde se encontravam sido imediatamente depositadas num cofre do Banco Millenium, alugado para o efeito. “Nem sequer foram abertas”, afirma, “pois não havia condições de segurança para o espólio ser colocado no Museu, por estar devidamente acondicionado e não existir nenhuma relação escrita do mesmo”.

Sobre o assunto, em sessão de Câmara Municipal datada de 1 de Abril de 2008, o actual Vereador do Pelouro da Cultura, Dr. António Cardoso, como pode ler-se na respectiva acta, esclareceu que recebeu pessoalmente o Professor Castro Nunes e que perante a afirmação que o anterior Executivo lhe havia negado o acesso ao espólio “Nesse mesmo dia fomos ao Museu” e de seguida ao Banco Milleniem onde as caixas foram abertas. Quanto a uma mala com peças que tinham ido para Lisboa para uma exposição, também ela foi encontrada. Assim, pode ler-se na acta da reunião, “Analisado tudo o que estava na pasta, o Dr. Castro Nunes concluiu que ia confrontar com os seus dados, mas que em principio estava tudo e, disse-o à frente das próprias folhas e da funcionária da Câmara”. Neste contexto, o vereador António Cardoso solicitou que o processo que estava a decorrer contra o Dr. Rui Silva, Mário Vale e Drª Regina Anacleto fosse retirado, ao que Castro Nunes “respondeu que não, uma vez que se tinham negado a mostrar tudo isto e foi-se embora”. Dias mais tarde, esclarece o vereador, voltou a pedir o acesso ao espólio que lhe foi negado “uma vez que estava o processo em Tribunal, e deveria ser o Tribunal a solicitá-la”.

Mais tarde foram indigitados pelo Tribunal dois peritos tendo-se concluido “que havia muito mais peças do que aquelas que o Dr. João de Castro Nunes tinha fotografado numa exposição anterior e que tinha apresentado em Tribunal”. Perante isto, pode ler-se na acta que temos vindo a citar, Dr. António Cardoso “foi com espanto que vimos no jornal que a “Ara Romana” tinha desaparecido. Essa “Ara não consta daquilo que era necessário verificar na vistoria”.

Na mesma reunião a que nos estamos a reportar, o actual Presidente da Câmara Municipal, Engº Pereira Alves, deixou exarado em acta “sobre esta matéria, quero dizer, em primeiro lugar, que o espólio que existia é o que existe hoje. Em segundo lugar, dizer que as ofensas aos executivos anterior e actual, são à Câmara e devo dizer que se há matérias em que estou de acordo com o anterior executivo, é nesta; acho que tomaram as medidas que deveriam ser tomadas”.

Passado um ano sobre estes factos, foi a vez do Tribunal se pronunciar em 16 de Janeiro passado - “Da factualidade apurada resulta, à evidência, que nenhuma responsabilidade jurídico-penal pode ser imputada a qualquer título, aos arguidos”. Também a Drª Regina Anacleto foi completamente ilibada.

Apesar de aliviado pela clarificação deste caso, o Engº Rui Silva não deixa de lamentar que o actual executivo, “conhecendo o desenvolvimento do processo e sabendo das suspeitas que estavam a ser levantadas em Tribunal e na praça pública, não ter tentado esclarecer a verdade, preservando a dignidade das pessoas envolvidas”. Considera que os constituídos arguidos “mais não fizeram que defender o património do Munícipio, caso contrário”, conclui, “o referido espólio poderia ainda não se encontrar na sua posse.”
in Jornal de Arganil, edição electrónica

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segunda-feira, 16 de junho de 2008

Em paridade

Da França vindos e da Normandia,
então sob o domínio de Inglaterra,
quando o Renascimento principia
e a Idade-Média finalmente encerra,


em Góis pululam grandes arquitectos,
artistas de renome contratados
para levar a cabo altos projectos
ainda agora em parte conservados.


Não é para admirar que desde então
em Góis se manifeste a propensão
para o convívio internacional.


Seja qual for a cor dos estandartes,
é grato ver a gente de outras partes
buscar para viver este local!

João de Castro Nunes

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sexta-feira, 30 de maio de 2008

O abantesma da matriz de Góis

Num quinhentista medalhão do tecto
por Luís da Silveira encomendado
a Diogo de Castilho, o arquitecto
daqueles tempos mais solicitado,


figura decepada uma cabeça
hirsuta, feia, trágica e horrenda
constituindo uma excelente peça
com nome epigrafado na legenda.


É o bíblico Holofernes, o feroz
perseguidor do povo da Judeia
a quem Judite deu um fim atroz.


Dada a similitude das feições,
quem desconhece… fica com a ideia
de ser o Holofernes de Midões!

João de Castro Nunes

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quinta-feira, 29 de maio de 2008

O painel goiense dos Reis Magos

Que original é o quadro dos Reis Magos
que na igreja de Góis está patente,
sendo de lamentar os seus estragos
por obra só do tempo certamente.


Nunca vi cena tão encantadora
dando nas vistas, antes de mais nada,
o lindo rosto de Nossa Senhora
tão expressivamente recatada.


Também me toca muito o coração
o Menino estendendo a sua mão
ao mais barbudo rei da comitiva,


o qual, ao que parece, faz tenção
de lha beijar de forma alternativa
entre veneradora e afectiva!

João de Castro Nunes

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domingo, 25 de maio de 2008

Santa Maria Maior

Fotografia de JRC

Todas as Nossas Senhoras
são grandes por natureza,
todas sendo encantadoras,
todas de extrema beleza.


Há-as de vários tamanhos,
conforme o sítio ou lugar,
uma têm olhos castanhos,
outras azuis cor do mar.


Bonitas são todas elas,
todas são lindas e belas
pois são a Mãe de Senhor.


Em todas há santidade,
mas a de Góis, na verdade,
é de todas… a Maior!

João de Castro Nunes

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sábado, 24 de maio de 2008

Em Góis te vejo em tudo

Em Góis, que foi teu berço, junto ao Ceira,
vejo o teu nome escrito em toda a parte
desde que eu comecei a namorar-te
e nunca mais saí da tua beira.


Vejo-o no peitoril abençoado
da janela que deita para a frente
da casa onde moravas e que a gente
gastou de horas sem fim lá ter passado.


Vejo-o no Cerejal onde o gravei
em cada tronco de árvore no centro
de um coração, de forma a caber dentro.


Vejo-o na capelinha em que casei
em pleno inverno, a meio de Dezembro,
numa manhã de sol, se bem me lembro!

João de Castro Nunes

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quinta-feira, 22 de maio de 2008

Aldeias do Xisto

Vezes sem conta, em Góis, eu percorri
suas aldeias típicas de xisto;
não sei já quantas vezes por ali
andei sem pretender gabar-me disto.


Podia enumerá-las uma a uma,
desde Aigra Velha e Nova à Comareira,
mas eu prefiro não citar nenhuma
a fim de não pôr lenha na fogueira.


Por elas passa, julgo, em grande parte,
o futuro turístico de Góis,
que entre a montanha e a vila se reparte.


Falo por mim, que numa viva roda,
por ventos, chuvas, esquentados sóis,
trilhei aquela zona… hoje na moda!

João de Castro Nunes

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