sábado, 25 de abril de 2009

Abril é hoje e sempre

A nossa História recente está dividida num antes e num depois.

O antes era um tempo de muito pouco. Era um tempo de lugares muito pequenos e sem luz. Um tempo cinzento e de penumbra. Um tempo sem risos soltos e francos, sem portas nem janelas. Era um tempo muito pequeno e asfixiante. Um tempo sem fim, lento e torturador. Era um tempo imenso de sonhos e utopias reprimidas a quererem romper os lugares pequenos e a quererem voar num mundo de céus azuis sem nuvens e sem limites de esperanças e de anseios. Mas este já é o tempo depois. O tempo depois de estarmos a construir em democracia e liberdade e que só o tempo futuro poderá dizer o que é e como é.

Chama-se Abril ao tempo/passagem entre o antes e o depois. Abril é o tempo de cravos vermelhos a explodirem em golfadas de alegrias e sonhos contidos no antes, a fazerem a travessia para o depois. Abril é a Primavera imensa, carregada de emoções indizíveis e de céus azuis infinitos e por descobrir. Abril é esperança. Abril é a liberdade. Abril é uma paleta de emoções que celebramos para que não se apague ou se perca nas teias do esquecimento.

Hoje, mais do que nunca, a essência do 25 de Abril deve estar presente nas nossas vidas. Acompanhar os ventos de mudança que sopram actualmente implica adoptarmos novos comportamentos, novas posturas, tentarmos ver mais além...
Falar do 25 de Abril é falar sempre de um ideal que, como tal, nunca se cumpre na sua expressão máxima.
Mas o importante, depois de passados 35 anos deste marco na vida do nosso país, é, não apenas recordar, mas sim continuar a tentar construir Abril: é lutar, à nossa escala, por uma sociedade mais justa e solidária.


ABRIL DE SIM, ABRIL DE NÃO

Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.

Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.

Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.

Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.

Manuel Alegre

«Não me resigno nem me conformo na batalha pela qualidade da democracia portuguesa. Temos de deixar aos nossos filhos e aos nossos netos um regime em que sejamos governados por uma classe política qualificada, em que a vida pública se paute por critérios de rigor ético, exigência e competência, em que a corrupção seja combatida por um sistema judicial eficaz e prestigiado.
Decorridos mais de trinta anos sobre a queda de um regime autoritário, Portugal deve pensar-se como democracia amadurecida. Uma democracia em que o escrutínio dos poderes esteja assegurado por meios de comunicação social isentos e responsáveis.
É urgente reinventar o espírito de cidadania, o que exige uma mudança da nossa cultura política. (...)
É necessário que os agentes políticos se empenhem mais na prestação de contas aos cidadãos, que os Portugueses conheçam e compreendam o sentido e os objectivos das medidas que vão sendo adoptadas, que exista clareza e transparência na relação entre o poder político e a comunidade cívica.
É preciso que exista uma clara separação entre actividades políticas e actividades privadas, que as situações de conflito de interesses sejam afastadas por imperativo ético e não apenas por imposição da lei

Excerto do discurso de Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República no 33º aniversário do 25 de Abril






Trinta e cinco anos de democracia e os cravos murcharam... no nosso país!

Os cravos de Abril, que lindos que eram!
Vermelhos! Luzentes de chama vibrante!
No cano das armas, aonde os puseram,
O povo os fitava, de olhar deslumbrante!

Que sonho tão lindo, num dia cantante,
Da Vila Morena, que todos esperam
Com honra e com brio, num bem consagrante,
Que a guerra termine, onde tantos morreram!

Manhã radiosa, e o povo dizia:
- Que bom que já temos a Democracia!
Ó meu Portugal, irás ser mais feliz!

Seria uma Graça! Mas a liberdade
Foi mal entendida… sem civilidade
Os cravos murcharam no nosso País!

Clarisse Barata Sanches

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Desgarrada de Além-Mar

Clarisse Barata Sanches e a açoriana Rosa Silva apresentaram recentemente o livro Desgarrada de Além-Mar.
Para além do valor poético, é um trabalho que prima pela singularidade. Aproveitaram as novas tecnologias para fazerem uma desgarrada composta por quinhentas quadras.
Esta nova forma de versejar acontece entre Góis e Angra do Heroísmo. Duas mulheres encontram-se na Internet e quadra para lá e quadra para cá, contam as suas vidas e a das suas terras, a cantar, num despique muito inspirado.
As parcerias são saudáveis e purificam as nossas tendências egocêntricas. Dar as mãos é sempre um gesto nobre. Caminhar de mãos dadas sobre a água, só com a leveza dos sonhos.
Porém, o rio Ceira mergulhado na grandeza do mar, já tocou Angra do Heroísmo e todos os pedaços de terra que, por esse mundo, emergem dos oceanos.
Imagino o que ambas se divertiram com esta desgarrada. A alegria que preencheu as suas vidas e o que permanecerá no coração de cada uma.
Além do mais, a união entre as pessoas é a desejável sensação de harmonia, a gota balsâmica que suaviza as angústias, reais ou inventadas, que nos asfixiam.
Encontraram também o antídoto da solidão. As palavras partilhadas foram boas companheiras, foram aguardadas com a ansiedade saudável das surpresas boas e foram recebidas com a hospitalidade de duas excelentes anfitriãs.
Rosa Silva deu-nos um pedaço de si própria e aproximou-nos dos Açores.
Clarisse Barata Sanches deixou-se embalar nas águas do rio Ceira e levou consigo tudo o que guarda na memória do coração. Voa por aqui e por ali, mas regressa sempre às suas raízes.
Este livro lê-se de um fôlego. Há nele uma faceta lúdica se recrearmos o vaivém das quadras e as distâncias que percorreram.
Não sei se tiveram de enfrentar alguma tempestade, porém encontraram todas um porto seguro. Abrigaram-se nas folhas de um livro.
Foi uma ideia bem portuguesa, bem conseguida e imaginativa.
A Beira-Serra e os Açores fizeram um intercâmbio de tradições, de belezas paisagísticas e de pequenos momentos do dia a dia.
As duas autoras aconchegaram-se neste espaço imenso entre o continente e os Açores.
Permaneceram, tenho a certeza, os afectos e a memória de todas as vivências.
Qual será a próxima desgarrada? Que novo desafio estão dispostas a enfrentar? Surpreendam-se e surpreendam-nos.
Maria Leonarda Tavares
in A Comarca de Arganil, de 14/01/2009

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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Clarisse Sanches - Poesia Além-Fronteiras


Boa ideia surgiu lá para os lados dos Açores, mais propriamente em Angra do Heroísmo, quando Rosa Silva iniciou um dialogo com Clarisse Barata Sanches, através da Internet, que a propósito das suas poesias, resultou numa iniciativa inédita denominada "Desgarradas de Além-Mar".
Clarisse Barata Sanches aproveitou alguns excertos das poesias de Rosa Silva e acrescentou poemas da sua autoria, lançando o seu mais recente livro, que abraça o continente e os Açores, atravessando o mar sob a magia da poesia, transformada numa desgarrada entre as duas amigas, que se conheceram pelo mais moderno meio de comunicação - Internet.
O livro ilustrado com imagens do concelho de Góis e da cidade de Angra do Heroísmo, recorda, em forma de poesia, memórias do continente e dos Açores, cantadas como uma desgarrada, em forma de dueto.
Adoptar esta iniciativa por cá também não seria nada má ideia. A julgar pelos níveis de iliteracia dos portugueses, pequenas actividades como esta fariam bem ao nosso povo, que poderia aproveitar as suas conversas para elaborar poemas em conjunto, dando asas à imaginação e ajudando-se uns aos outros, partilhando ideias e aumentando a cultura do povo português.
in O Varzeense, de 15/11/2008

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terça-feira, 18 de novembro de 2008

GÓIS: BALADA PARA TI



Não sei cantar-te um Hino de louvor,
Uma canção de Paz, tendo ilustrada
A tua velha História e o valor
Duma terra tão linda e bem formada!


Não cabe, Góis, aqui, nesta balada
O que eu queria expor-te com rigor;
Os versos que te fiz são quase nada,
À vista do que dás... com tanto Amor!


Toda envolta de verde, a velha Igreja,
A Ponte, o Rio Ceira que te beija:
Santo António, o "Castelo", o Cerejal...


A Cruz de São Tiago, por teu preito,
Fazem de ti o Hino mais perfeito
E o mais belo do nosso Portugal!

Clarisse Barata Sanches

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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Góis: Balada para Ti

Não sei cantar-te um Hino de louvor,

Uma canção de Paz, tendo ilustrada

A tua velha Histõria e o valor

Duma terra tão linda e bem formada!



Não cabe, Góis, aqui, nesta balada

O que eu queria expor-te com rigor;

Os versos que te fiz são quase nada,

À vista do que dás... com tanto Amor!



Toda envolta de verde, a velha Igreja,

A Ponte, o Rio Ceira que te beija:

Santo António, o "Castelo", o Cerejal...



A Cruz de São Tiago, por teu preito,

Fazem de ti o Hino mais perfeito

E o mais belo do nosso Portugal!

Clarisse Barata Sanches

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terça-feira, 27 de maio de 2008

Penedo de Góis

Fotografia de JRC


E, lá, nessa altaneira posição,
Costumas ter às vezes branco véu…
Que te cobre nos dias de nevão.

António Rodrigues Dias
(Em sua saudosa memória)


GLOSA

Bem lá no cume ao cimo da montanha,
Nasceste pra brindar este rincão.
Como faria Deus obra tamanha?
“E LÁ, NESSA ALTANEIRA POSIÇÃO?

Tens forma duma c’roa muito bela!
Quem dera estar, assim, perto do Céu!
Tal como a maior serra, a da Estrela,
“COSTUMAS TER ÀS VEZES BRANCO VÉU…”

Um véu cor de açucena, em renda pura…
Qual noiva que o arrasta pelo chão…
Tanta imponência… e brilho de candura
“QUE TE COBRE NOS DIAS DE NEVÃO.”

Clarisse Barata Sanches

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terça-feira, 15 de abril de 2008

NO 75º ANIVERSÁRIO DO RESSURGIMENTO DA BANDA DE GÓIS

EM 1933 O POVO DE GÓIS ESPERANDO VER PASSAR

NA RUA A SUA BANDA FILARMÓNICA



( Foto e nota de A. Rodrigues Dias)



75º ANIVERSÁRIO DO RESSURGIMENTO DA BANDA


DE GÓIS, EM 2008


Data: mil novecentos trinta e três:
Góis veio, então, à rua pra saudar
A sua Filarmónica e, talvez,
Ansiar muitos anos a tocar.



Nesse dia ressurgia para durar:
E toda a gente diz: - será de vez!
Qu’remos a Filarmónica a brilhar,
Pelas ruas de Góis, com altivez!



Setenta e cinco anos são passados:
E fez – se a festa na Associação
Com Bandas que vieram de dois lados.



Cantou-se o “Ceira corre”, em emoção,
Parabéns com aplausos animados…
A pulsar de alegria o coração.

Clarisse Barata Sanches
in http://canticosdabeira.blogs.sapo.pt

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sábado, 5 de abril de 2008

Clarisse Barata Sanches lançou "Rosários de Amor"

"Rosários de Amor" é a décima primeira obra literária de Clarisse Barata Sanches. A goiense lançou o livro no passado Sábado, dia 29 de Março, no auditório da ADIBER (Associação de Desenvolvimento Integrado da Beira Serra), entidade que co-financiou a edição, através do programa Beira Serra Cultura Viva, no âmbito do programa Leader+. A par do lançamento da obra, e apresentação da escritora, a cargo de Abel Fernandes, a sessão foi acrescida com a leitura de poemas inscritos no livro.
Trata-se de um conjunto de poemas compilados pela autora, com prólogo de João Castro Nunes, que segundo o próprio, eleva as temáticas das suas composições anteriores, designadamente o soneto, acentuando a sua "beleza formal". Considerando que o livro "não é uma obra prima", a escritora revelou, porém, a satisfação de constatar a "boa aceitação" que "Rosários de Amor" tem tido perante os amantes da poesia e daqueles que não sendo poetas "estão atentos à técnica e forma clássica" de que são revestidos os seus poemas. A autora privilegia assim o que diz ser a "poesia sã", semelhante à forma utilizada pelos poetas de outrora. "É pena que a boa poesia esteja em decadência e não se ensinem nas escolas e construí-la melhor", disse a autora, criticando os jovens que agora escrevem "de maneira pouco clara e às escadinhas o que lhe vem à cabeça".
Devido à sua característica "sui generis" e à diverisade de pensamento, fazendo referência a "mestres da cultura portuguesa", na opinião da vice-presidente da ADIBER, o livro é uma das suas obras "mais ricas". Assim, com edição desta e das restantes dez obras, Lurdes Castanheira designou a autora como promotora do enriquecimento cultural de Góis. A dirigente defendeu que continue a ser feito um trabalho que vise o engrandecimento da cultura literárias em Góis, uma vez que, apesar do panorama se apresentar mais favorável que há uns anos atrás, ainda tem de ser percorrido um "longo caminho" nesse sentido. "Temos de ter consciência que há um défice nessa matéria", reiterou. De acordo com a dirigente, um dos problemas reside na primazia que tem sido dada às novas tecnologias, na sua óptica também importantes, em detrimento do livro, entre os jovens. Desta forma advogou que tanto as instituições locais, como a própria Clarisse Barata Sanches como outros escritores goienses devem continuar o trabalho que têm desenvolvido e apontou a Escola como uma das entidades "que não se pode furtar das suas discentes e docentes e dar o seu contributo para inverter a tendência de falta de cultura".
Para a vice-presidente de Câmara Municipal de Góis, ler "Rosários de Amor" é descobrir que "se soubermos estar atentos", "tudo na vida tem um significado". Helena Moniz classificou a obra, e a autora, como parte integrante de um mundo "puro que a magia consegue transformar" e ainda sobre a escritora enalteceu a sua "forma simples" de ver o mundo".
Diana Duarte
in Jornal de Arganil, de 3/04/2008

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domingo, 30 de março de 2008

«Rosários de Amor»

Para lembrar o Doa Mundial da Poesia, comemorado em 21 de Março, não encontrei nada mais próprio do que o recente livro «Rosários de Amor», e da sua autora, Clarisse Barata Sanches.
Conheço quase toda a sua obra, assim posso afirmar que conheço Clarisse Barata Sanches. É uma mulher com M grande! Através da sua escrita revela os seus sentimentos, aliás de outro modo não sabe escrever. Em 2004 comemorou 50 anos de carreira, com a edição de «Sonhos da Alma», uma escrita riquíssima em sonetos, de que é mestra.
Por vezes penso, quando estes poetas partirem quem escreverá como eles?
Para além da escrita, conheço Clarisse Barata Sanches de longas conversas ao telefone e posso testemunhar muitas das suas angústias, que a sua alma nobre e sensível sente a todos os níveis. Há algum tempo, perguntou-me: - como foi que iniciámos o nosso conhecimento?
É natural que não se lembrasse, mas eu lembro-me perfeitamente: já lia os seus escritos através da imprensa, em especial A Comarca de Arganil, quando publicou «Hinos da Tarde», outro belo trabalho, onde predominam as «glosas». Escrevi-lhe para comprar um exemplar e na sua gentileza, quis oferecer-me alguns exemplares de outras edições anteriores. O nosso contacto não mais terminou e ultimamente tem sido mais frequente, porque como a distinta e versátil escritora refere, ao citar António Aleixo. «A arte é força eminente/Não se ensina, não se aprende/Não se compra não se vende/Nasce e morre com a gente».
Permitam-me que acrescente, vou aqui revelar uma confidência: Clarisse Barata Sanches, escritora invulgar, não guarda a mestria só para ela, muitas vezes tenho pedido conselho, que ela não recusa. Posso dizer que acompanhei alguns momentos de ansiedade, para que tudo ficasse perfeito, incluindo a capa que fez questão de incluir flores da Natureza, que admira e gosta de proteger, e as pombas da paz, que muito a preocupa, na família e no mundo, além de uma imagem de Nossa Senhora, como pessoa de fé, bem retratada ao longo de todos os seus escritos. Cito apenas esta quadra, recentemente classificada em 1.º lugar no Concurso Literário, subordinado ao tema «Conselho», «Se quiser dar um conselho/Que não seja folha ao vento.../Tenha sempre o Evangelho/A brilhar no pensamento». Clarisse Barata Sanches - Góis - Portugal.
Vários dos seus apreciadores já fizeram nas colunas de A Comarca a apologia de «Rosários de Amor». O título há muito que estava escolhido e a palavra «Rosários» que vem de rosas, não tem um cariz exclusivo religioso, quer dizer, série de estratos seguidos, que são afinal os Rosários de Amor, da Clarisse, que não busca a fama através dos grandes meios da comunicação social.
Lamentável que os nossos governantes, sempre prontos a distribuir distinções, não estejam receptivos aos valores sentidos por Clarisse Barata Sanches, para que fosse reconhecido o seu mérito. Bem merecia uma distinção, pela defesa da honestidade, paz e fraternidade.
Mas Clarisse não escreve à espera de «louros» e por isso quero agradecer-lhe ter inserido o poema que me dedicou quando a edição de «O Meu Mundo em Poesia» e desejar-lhe que continue a sonhar com pombas mansas e um mundo sem mazelas... e que este não seja o último livro, como pensa, mas que outros se lhe sigam.
Isaura Martins
in A Comarca de Arganil, de 27/03/2008

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sábado, 29 de março de 2008

Rosário de amor ou sonhos da alma

O meu coração balança dividido na leitura de "Sonhos da Alma", editado em 2004 mas que só agora o leio, e "Rosários de Amor" saído recentemente da gráfica, deixando-se envolver por estes dois exemplares que transbordam sentimento e afectividade, onde transparece a alma de quem os escreveu: Clarisse Barata Sanches.
Identifico-me de imediato com a sua expressividade tão feminina e volátil, que em certos trechos, como no soneto "Quem Sou", se assemelha à escrita de Florbela Espanca, essa grande poetisa alentejana também presente nestes livros.
Grande também é o talento da autora destas duas obras poéticas, que na sua poesia envolvente e pura nos leva a partilhar as suas dores da alma, a saudade dos afectos desaparecidos da vivência terrena, a sua premência em preservar os valores morais que perderam ao seu redor, mistificados pela palavra progresso, o seu amor às pessoas e à Natureza, o seu sonho acalentado de um mundo melhor, o seu olhar atento às notícias do quotidiano, a sua solidão interior que a sua fé procura acalmar.
Em ambos os livros encontro com surpresa afectos comuns como os sorrisos do Joãozito e da Cita, dois irmãos que conheci em Carvalho e que me merecem um carinho especial. Os seus rostos juvenis a ilustrarem poemas recheados de ternura.
Deparo ainda com poemas dedicados a Maria Vitória Nogueira, que reside em Treixeido (Santa Comba Dão), que escreve cartas maravilhosas a quem a contacta. Convém dizer que os médicos para salvarem a vida desta mulher admirável lhe amputaram os braços e as pernas. Quantas vezes nos lamentamos por ninharias quando há pessoas assim, que ultrapassam o seu grande sofrimento, vivendo com um sorriso a sua vida e ainda transmitindo aos outros um amor sem amargura. Só recentemente tive conhecimento que a Maria Vitória pinta com a boca, fazenso parte da Sociedade dos Artistas Deficientes Manuais.
Tal como "Sonhos da Alma", "Rosários de Amor" é na realidade um rosário de contas de bela poesia que se revela ao longo de mais de 200 páginas, transparentes de sensibilidade, como este poema de louvor a Deus que aqui transcrevo e que é também a oração que cada um de nós deveria fazer diariamente:

Agradecimento a Deus

Agradeço-Te, Deus, o meu andar,
O raciocínio, o Dom da percepção;
Os sentidos da mente, o palpitar,
A voz que sente vivo o coração!
Agradeço, Senhor, a vida em flor;
A Terra, o Sol, o ar, a luz celeste!
A Esperança que acalente a minha dor,
A graça de escrever que tu me deste!
Agradeço a lição do sofrimento,
O auxílio divino de viver.
E, nos dias mais tristes; o alento
Que faz a minha alma enternecer!

CLARISSE BARATA SANCHES

Que o Dom de comunicar de Clarisse Barata Sanches através da poesia, continue a manifestar-se em páginas de beleza, preenchendo lacunas de encantamento tão necessário nas nossas vidas.
Maria Antónia Neves
in A Comarca de Arganil, de 27/03/2008

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quinta-feira, 20 de março de 2008

Clarisse Barata Sanches apresenta nova obra literária

A autora Clarisse Barata Sanches vai apresentar o seu novo livro “Rosários de Amor”, no próximo dia 29 de Março, sábado, pelas 17:00 horas, no Auditório da ADIBER, em Góis, em sessão aberta ao público.
Trata-se da décima primeira obra da autoria desta escritora residente em Góis, referenciada muitas vezes como “autêntica embaixatriz da literatura goiense”, num percurso literário que se tem espraiado pela poesia, pelas “memórias”, pelo conto e pela “narrativa.”
“Rosários de Amor” é uma compilação de grande fôlego de poemas da autora, prefaciado pelo Prof. Dr. João Castro Nunes e editado com o apoio do projecto “Beira Serra Cultura Viva”, projecto de dinamização cultural e editorial da região, que a ADIBER promove no âmbito do Programa LEADER +.
in www.aprincesadoalva.com

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segunda-feira, 17 de março de 2008

Clarisse, na graça de todos nós...

Na nossa vida que passa
Como um foguete veloz,
Só vale viver em graça
Na graça de todos nós.


Clarisse Barata Sanches
in, Rosários de Amor


A Mimosa poetisa de Góis quis ter a extrema amabilidade de me brindar, mais uma vez, com um dos seus livros, neste particular, o último: "Rosários de Amor", que é, pela sua delicadeza poética, um manancial de vida, onde perpassam memórias e factos, amorosamente burilados pelo cinzel literário da artista, Clarisse, que em cada página nos deixa as pétalas perfumadas dos seus rosários de vida.
Rosário, se nos abstrair-mos do seu significado religioso, quer dizer, série de coisas ou factos seguidos, como se fossem contas de um verdadeiro rosário, e que são, afinal, os Rosários de Amor da Clarisse, que, como contas poéticas emolduram este livro, que apetece ler e rezar, depois de ler e meditar uma dessas contas, (pág. 110)

Se eu fosse juiz atento
A questões de inimizade,
Eu daria em julgamento,
Penas de fraternidade!

É por isto que a Clarisse se agiganta, porque neste mundo frívolo, a alma do Poeta continua a ter ideias de fraternidade, dando-nos a alegria de sentirmos que vale a pena lutar por este ideal, porque se o perdermos, deixamos perder a nossa humanidade, razão que me leva a dizer, que este livro não é apenas para ler, é, também, para rezar, no sentido altruista que devemos Ter, que rezar, não é, apenas, recitar orações eclesiais, mas falar a Deus das coisas da vida concreta, onde a fraternidade é, na linha do amor de que Ele falou, possivelmente, uma das virtudes mais altas.
A poetisa não se esqueceu disto, como não se esqueceu, continuando a desfiar as contas dos seus Rosários de Amor, onde voam pombas mansas, de nos dizer o seguinte: (pág. 173)

Eu queria um mundo branco... sem mazelas,
Onde qualquer ser fosse pomba mansa
Sem precisar de guardas, sentinelas,
Para termos na vida, segurança.


Pelo sonho é que vamos, disse Sebastião da Gama, porque o sonho comanda a vida, sentenciou, António Gedeão, a que Clarisse junta esta quadra, que é, também um sonho, quando nos diz, Eu queria um mundo branco... sem mazelas, quando sabemos, o mundo que temos ... mas, que não deve inibir o Poeta de continuar a sonhar num mundo melhor, que é essa um dos seus melhores atributos: continuar a lutar por um mundo onde qualquer ser fosse pomba branca... embora lhe doa a alma, por ver tanta hipocrisia, um facto que não passou despercebido à Clarisse, que num dos seus momentos, em que o sonho se rendeu à realidade concreta das coisas - um poeta vive neste mundo - com alguma amargura, nos diz (pág. 50)

Neste mundo de louca fantasia,
Enquanto reinar tanta hipocrisia,
Não morrerá, jamais, o Carnaval!...

Obrigado, Clarisse, pelo sonho e pela realidade do seu livro.
Harmoniosamente, este dois factores cruzam-se e completam-se e todos são contas do mesmo "Rosário de Amor", porque ama sempre aquela que sonha e não deixa de amar aquele que pinta a realidade.
Continue a deliciar-nos com mais poemas.
Fica à espera o seu incondicional leitor, que sente e sabe de ciência certa, e tirando o chapéu ao que nos diz, que nesta vida que passa como um foguete veloz, só vale viver em graça... na graça de todos nós.
É deste modo que a Clarisse vive nos seus leitores: na graça de todos nós!
Teodoro A. Mendes
in A Comarca de Arganil, de 13/03/2008

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domingo, 16 de março de 2008

Os "Rosários" poéticos de Clarisse

A publicação de mais um livro de Clarisse Barata Sanches vem confirmar que a sua Poesia nasce todos os dias, de manhã, à tarde e à noite, abordando diversíssimos temas, sem omitir certas das grandes figuras goienses - e o rio Ceira, a Religião, a História, as Letras e Artes. Perde-se a acha-se no trato do folclore, incluindo festas, canções e bailados.
Reformula provérbios, intimando-os. Crítica os costumes. Percorre trilhas diferentes e, entre as mais assíduas, ressaltam as do Natal - o tempo que deveria ser eterno (e consagra-lhe 10 poesias), exaltando a paz entre os homens, para conciliar o Céu e a Terra. E fala dos goienses D. Luís da Silveira (que da vila foi Senhor), de D. Gonçalo da Silveira (martirizado no reino de Monomotapa) e do poeta, historiador, ensaísta e ficcionista António Franscisco Barata.
O volume vem com um prólogo de João de Castro Nunes (professor arqueólogo e poeta), que disse: "Cantando em prosa e verso a simplicidade do seu viver quotidiano, os encantos da amizade, a placidez da vida familiar, as preferências das suas relações sociais, a natureza das suas leituras, o cântico das aves e o marulhar das águas do seu límpido e cristalino Ceira, de antiquíssima raiz linguística, Clarisse Barata Sanches faz da sua mensagem poética uma autorizada tribuna de moralização social e exaltação ambiental: encanta e educa".
O prefaciador sublinha depois a versatilidade de Clarisse, "quer se trate de criações de raiz, originais, quer de glosas e composições alheias". Por meu turno, prefiro as "canções de raiz, originais", por serem genuinamente espontâneas e de clima regional, no trato de pessoas e questões goienses. Creio, de resto, que a obra de Clarisse se projecta cada vez mais no que realmente ela vive, conforme testemunham os seus textos em prosa e verso, cujo cariz é intimamente pessoal.
E dessa natureza são igualmente as poesias religiosas (envolvendo, é claro, as de Natal), assim como as impressões acerca do folclore e dos provérbios, árvores da terra ou acordes patrióticos (é mais do que evidente o sentido do "Dia de Portugal", de Os Lusíadas, Bíblia da Pátria" e de outros textos). Receptíveis são ainda as poesias líricas, onde o amor floresce, ao lado do tom familiar ou de homenagem aos amigos.
A reunião dos capítulos temáticos poderia ser talvez mais legível e este princípio, quem sabe?, melhor assimilado pelos jovens, afastando-os da dispersão dos assuntos - ainda não pode falar-se de Letras da Beira-Serra, na ausência de uma colecção (ou livro colectivo?) que congregue e identifique a bibliografia básica: penso no pouco que se sabe, por exemplo, da obra de D. Luís da Silveira (a não ser acompanhando o Cancioneiro Geral de Garcia de Resende) e do poema Lembrança da Pátria Góes, cuja 1.ª ediçãop é de 1899 (a 2.ª apareceu na Arganilia, (6/7 de 1997). E O D. Luís da Silveira (senhor de Góis e Conde de Sortelha, de António Dinis, e de 1998, enquanto Góis e seus Poetas, de Clarisse Barata Sanches, teve a 1.ª edição em 1999 e a 2.ª em 2000. Porf im, Ao longo desta ribeira, de João Nogueira Ramos, é de 2000, ano em que Arganilia reeditou a poesia de António Francisco Barata. Se alguém conhece outros estudos que os aponte!
João Alves das Neves, escritor português radicado no Brasil (e-mail: jneves@fesesp.org.br )
in A Comarca de Arganil, de 13/03/2008

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sábado, 15 de março de 2008

Rosários de Amor

Rosários de Amor é o título do último livro de Clarisse Barata Sanches. Com esta obra atingiu a décima Segunda publicação. Um número que ilustra bem o trabalho, a persistência e a inspiração da autora.
Os temas escolhidos são de uma abrangência vastíssima. Completam-se, continuam-se e não se esgotam.
A família, os amigos, a terra natal, os eventos mais marcantes da actualidade e a fé que professa são uma presença constante em toda a sua poesia.
Clarisse Barata Sanches tem escrito muito e muito se tem escrito sobre ela.
Encontrámo-nos pessoalmente apenas uma vez e poucas palavras trocámos. Tenho, no entanto , a sensação de conhecer bastante bem a mulher que se revela nas páginas dos seus livros. É uma escrita transparente através da qual se apresenta a ela própria, envolvendo-se na sua teia de sentimentos e afectos. Apresenta-nos o mundo que a rodeia, retocando-o de sensibilidade, imprimindo-lhe traços que são fruto de uma vivência que é única para cada um de nós.
A autora cita António Aleixo: "A arte é força imanente/Não se ensina, não se aprende,/Não se compra não se vende/Nasce e morre com a gente."
A vida concedeu a Clarisse Barata Sanches o dom de ser poetisa. Ao seu jeito e da forma que entende, tem sabido partilhá-lo com os outros.
De entre as presenças marcantes neste livro, referir-me-ei apenas à de Judite Raquel- Há uns meses, encontrando-me na sala de espera de um consultório médico, na Lousã, fui abordada por uma jovem que, insistentemente, dizia conhecer-me, apesar de não se lembrar de onde. Tenho uma memória visual fraca, mas perecia-me nunca Ter visto aquele rosto. Acreditei, desde i início, tratar-se de um equívoco. Porém, a rapariga não desistia. Inesperadamente disse, em voz alta, com o ar de felicidade que associamos à descoberta de algo importante, que tinha visto a minha fotografia num jornal e tinha lido alguns dos meus livros, em casa da madrinha.
Continuou a falar com a certeza de que a memória não a tinha atraiçoado.
Na sequência da conversa soube que a madrinha era Clarisse Barata Sanches. Mais tarde conheci a história de ambas.
Judite é alguém que faz parte da sua vida, alguém muito próximo.
Transcrevo, parcialmente, um dos poemas que lhe é dedicado, intitulado "Um pouco de mim"... "Criámos a criança com amor,/Ela vinha do Céu em forma de asa/Comoveu-nos a cena e essa flor/Que fez pôr-lhe ao dispor a nossa casa:/
Agora, peço a Deus e a S. Miguel/Que a proteja de tanta coisa má/Quando eu morrer, ninguém seja cruel:/É um pouco de mi que deixo cá."/
Os afectos estão sempre presentes. Neste livro, alguns animais têm, também, o seu lugar entre familiares e amigos, carinhosamente incluídos num espaço que, sem dúvida, merecem.
Agradeço-lhe, mais uma vez, o poema "É tempo de florir".
Rosários de Amor guarda nas suas páginas trezentos e cinquenta e um poemas, numerosos pensamentos e um belíssimo prólogo de João de Castro Nunes.
A poetisa apresentou o seu trabalho: "Meus Rosários de Amor e do meu ser;/São lembranças, estrelas, dentro de mim./Um Universo imenso, sem confim.../Que me desperta a alma e faz viver!/.
Meus Rosários de Amor são diademas/Que deixo, aqui, em forma de poemas,/Num livro de luar... erguido aos Céus!/...
Mais palavras para quê? Admiro a coragem e a força que movem a autora, a sua persistência e a sua vonatde de partilhar com os leitores o dom que recebeu.
E passo a passo rasga o caminho e deixa pegadas. Ruma à estrela, à manhã clara, em busca de um lugar que só o coração conhece.
Maria Leonarda Tavares
in A Comarca de Arganil, de 4/03/2008

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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Os “rosários” poéticos de Clarisse

A publicação de mais um livro de Clarisse Barata Sanches vem confirmar que a sua Poesia nasce todos os dias, de manhã, à tarde e à noite, abordando diversíssimos temas, sem omitir certas das grandes figuras goienses - e o rio Ceira, a Religião, a História, as Letras e Artes. Perde-se e acha-se no trato do folclore, incluindo festas, canções e bailados.
Reformula provérbios, rimando-os. Critica os costumes. Percorre trilhas diferentes e, entre as mais assíduas, ressaltam as do Natal - o tempo que deveria ser eterno (e consagra-lhe 10 poesias), exaltando a paz entre os homens, para conciliar o Céu e a Terra. E fala dos goienses D. Luís da Silveira (que da vila foi Senhor), de D. Gonçalo da Silveira (martirizado no reino de Monomotapa) e do poeta, historiador, ensaísta e ficcionista António Francisco Barata.
O volume vem com um prólogo de João de Castro Nunes (professor, arqueólogo e poeta), que disse: "Cantando em prosa e verso a simplicidade do seu viver quotidiano, os encantos da amizade, a placidez da vida familiar, as preferências das suas relações sociais, a natureza das suas leituras, o cântico das aves e o marulhar das águas do seu límpido e cristalino Ceira, de antiquíssima raiz linguística, Clarisse Barata Sanches faz da sua mensagem poética uma autorizada tribuna de moralização social e exaltação ambiental: encanta e educa".
O prefaciador sublinha depois a versatilidade de Clarisse, "quer se trate de criações de raiz, originais, quer de glosas e composições alheias". Por meu turno, prefiro as "criações de raiz, originais", por serem genuinamente espontâneas e de clima regional, no trato de pessoas e questões goienses. Creio, de resto, que a obra de Clarisse se projecta cada vez mais no que realmente ela vive, conforme testemunham os seus textos em prosa e verso, cujo cariz é intimamente pessoal.
E dessa natureza são igualmente as poesias religiosas (envolvendo, é claro, as de Natal), assim como as impressões acerca do folclore e dos provérbios, árvores da terra ou acordes patrióticos (é mais do que evidente o sentido do "Dia de Portugal", de Os Lusíadas, Bíblia da Pátria" e de outros textos). Receptíveis são ainda as poesias líricas, onde o amor floresce, ao lado do tom familiar ou de homenagem aos amigos.
A reunião dos capítulos temáticos poderia ser talvez mais legível e este princípio, quem sabe?, melhor assimilado pelos jovens, afastando-os da dispersão dos assuntos - ainda não pode falar-se de Letras da Beira-Serra, na ausência de uma colecção (ou livro colectivo?) que congregue e identifique a bibliografia básica: penso no pouco que se sabe, por exemplo, da obra de D. Luís da Silveira (a não ser acompanhando o Cancioneiro Geral de Garcia Resende) e do poema Lembrança da Pátria Góes, cuja 1ª. edição é de 1899 (a 2ª. apareceu na Arganilia, (6/7 de 1997). E o D. Luís da Silveira (Senhor de Góis e Conde de Sortelha, de António Dinis, é de 1998 , enquanto Góis e seus Poetas, de Clarisse Barata Sanches, teve a 1ª. edição em 1999 e a 2ª. em 2000. Por fim, Ao longo desta ribeira, de João Nogueira Ramos, é de 2000, ano em que Arganilia reeditou a poesia de António Francisco Barata, . Se alguém conhece outros estudos que os aponte!
João Alves das Neves
in Diário dos Açores, edição electrónica

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

“Rosários de Amor” - um livro de Clarsisse Barata Sanches

Se há poetas que continuam inspirados e a transmitir aos outros essa faculdade criativa, através da obra que editam, certamente que nesse número teremos que incluir Clarisse Barata Sanches, poetisa goiense que continua a cantar em verso, com regularidade e um sentimento que lhe brota da alma, as belezas de Góis e os valores básicos duma sociedade fraterna mas que o fluir do tempo vai varrendo com crescente intensidade do nosso quotidiano.
Desde 1983, com "Cantei ao Céu e à Terra", obra inspirada no amor, que Clarisse Barata Sanches dá expressão à sua arte de escritora, com relevo para a área da poesia mas sem olvidar também a prosa, encantando os seus leitores não apenas com a forma como constrói o seu pensamento mas igualmente com a profundidade dos conceitos que aborda na sua produção literária.
Após uma série já longa de livros publicados, vem agora o 11º dessa listagem. E mais uma vez, com a amabilidade habitual, esta ilustre e credenciada artista da poesia me fez chegar esse seu último livro, último na série já longa da sua bibliografia mas espero que longe de ser o derradeiro da sua produção literária. Julgo que "Rosários de Amor" é uma bela designação para um livro de poemas e bem definidora não apenas da própria personalidade da autora como das características fundamentais duma postura na vida que transbordam para a sua obra no campo da poesia.
Trata-se de um livro bem apresentado, com adequado prefácio do, também poeta, dr. João de Castro Nunes e que ao longo das suas mais de 230 páginas e algumas centenas de poemas nos remete para um encontro com uma poesia bem construída, reveladora duma ternura e duma filosofia que deixam transparecer sentimentos e percursos de vida, acontecimentos marcantes passados no ambiente físico e humano que fazem parte dum quotidiano olhado com os olhos da alma.
São estas impressões que me ficaram duma leitura, ainda que rápida, de "Rosários de Amor', um livro que me apetece definir como um conjunto de pérolas reunidas como grãos de contas de um rosário de orações recitadas passando as contas pelos dedos. Uma outra leitura, mais lenta e demorada, se irá seguir, bebendo cada poema, com o vagar com que se deve apreciar poesia, encantado com a beleza dos versos e reflectindo sobre a profundidade dos sentimentos e a qualidade dos conceitos que a sensibilidade e a inspiração de Clarisse Barata Sanches transformaram em obra de arte no domínio da poesia.
Autores de qualidade, seja em verso ou em prosa, e tantos há, felizmente na nossa região, merecem ser devidamente apoiados e dados a conhecer. Eles podem desempenhar uma missão de verdadeiras correias de transmissão da cultura e do conhecimento que são a base essencial do desenvolvimento. Felizmente que, como é o caso, há entidades que pensam deste modo, dando assim um forte quão necessário contributo para a difusão cultural e estimulando a criatividade dos artistas da nossa região.
Aníbal Pacheco
in A Comarca de Arganil, de 19/02/2008

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Góis: Linda Terra Portuguesa


Ao percorrer a terra portuguesa,
Num sonho deslumbrante e cor-de-rosa,
Vi tanta coisa bela e preciosa,
Que me deixou extática e surpresa!

Quedei-me em obras de arte e de nobreza!
Passei por muita Vila donairosa,
Mas não achei nenhuma mais formosa
Que Góis,vestida qual uma princesa!

Encantava- a verdura dos caminhos,
A Igreja memorável. O Penedo
E a Ponte Menuelina sobre o Ceira!

As águas em cascata nos moínhos
E o Sol no Rabadão, de manhá cedo,
Faziam do meu sonho, uma cegueira!

Clarisse Barata Sanches

Fotografias de Bruno Madeira

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sábado, 22 de dezembro de 2007

Góis: Jóia da Natureza

Góis: Princesa do Ceira meu torrão!

Jóia da Natureza e do Universo!

Sem ti eu não faria um simples verso;

Sem ti morria a minha inspiração!



São tantos os motivos de atracção,

Linda pelo direito e p'lo reverso;

Maravilhosa e de um encanto terso,

Que não sei como dar explicação...



A água, o sol, o verde, a Natureza

Modelam Góis de cor e de beleza

Que em qualquer outra terra, assim, não vejo.



Onde quer que estejais mandai-lhe abraços,

E vale a pena vê-la, dar uns passos...

Tirar-lhe o doce véu e dar-lhe um "beijo"!
Clarisse Sanches

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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

A Banda de Góis (Ao saudoso Maestro Sarrazola)


Dá gosto ouvir a música de Góis,
A Banda que mantém a tradição;
Garbosa e aprumada, honra-nos pois,
Por ser das mais gentis da região!

Quando ela passa, até os rouxinóis
Calam os seus trinados, de emoção!
Os instrumentos brilham como sóis,
A dar-lhe colorido, animação.

Ao rítmo das suas melodias,
Salta a criança, o velho se consola
De vê-la regressar das romarias.

Merece a nossa Banda um elogio,
E lembrarmos o Mestre Sarrazola,
Que há anos a guiou com muito brio!

Clarisse Barata Sanches

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terça-feira, 14 de agosto de 2007

Clarisse Barata Sanches escreve sobre o Padre Gonçalo da Silveira

História
O Venerável Padre Gonçalo da Silveira


Por gentileza do Senhor Padre Francisco Correia Sj. e através da Fundação Gonçalo da Silveira, tenho agora em meu poder o livro recentemente publicado, de sua autoria, que tem o título “O Venerável Padre Gonçalo da Silveira”.


Segundo li, foi o segundo Mártir de toda a Companhia de Jesus e foi seu companheiro nos estudos, em Coimbra, Luís de Camões que o canta no canto X dos Lusíadas, nº 93 e consagra-lhe o soneto nº 37 do I tomo das Rimas.


O Padre Gonçalo nasceria em 23 de Fevereiro de 1521 em Almeirim. Fora filho de D. Luís da Silveira, 1º Conde da Sortelha, 17º Senhor de Góis, Guarda-mor de D. Manuel e de D. João III, e de Dona Brites de Noronha que morreu ao dar à luz este seu 10º filho. Esta família está sepultada num rico túmulo Renascentista na Capela-mor da Igreja Matriz de Góis.


Muito novo, Gonçalo da Silveira estudou em Mogadouro, mas depois seu irmão o Conde D. Diogo da Silveira mandou-o para o Mosteiro de Santa Clara de Coimbra. Ali permaneceu alguns anos antes de entrar na Companhia de Jesus. Deixou vaidades e honras terrenas para se dedicar somente ao serviço de Deus. D. Gonçalo foi ordenado Padre em 25 de Dezembro de 1545. Por essa altura visitava Góis, onde se encontravam, por vezes, os seus pais num Palácio que seu pai D. Luís da Silveira mandara construir ao lado do rio Ceira, de que hoje só resta o nome de PAÇO. Cedo se revelou um brilhante pregador, contado mesmo, como sendo um dos melhores oradores de Portugal, até que a sua fama chegou ao conhecimento do rei D. João III, que o admirava muito. D. Gonçalo começou a sentir um ardente desejo de ser Missionário e profetizou mesmo vir a ser Mártir em terras do Oriente, para onde partiu em 30 de Março de 1556, integrado numa expedição. Embarcou em Belém com mais nove companheiros Jesuítas. Em 6 de Setembro chegou a Goa e foi recebido no Colégio de S. Paulo pelos 60 Jesuítas que ali viviam. Pregou em Cochim, criticando festas Judaicas que se realizavam de noite na Sinagoga. Daí aparecer na caixa das esmolas na festa Corpus Cristi um escrito contra ele.


Aqui o Padre Gonçalo interessou-se por conhecer as escrituras sagradas hindus e ajudou um brâmane, convertido ao cristianismo, a traduzir para português a obra de um famoso pensador hindu que viveu fora de Goa.
Em 1559 D. Constantino de Bragança, vice-rei da Índia, instigado por outros, desafiou os jesuítas de Goa a abrirem uma missão em Moçambique; logo o Padre Gonçalo se ofereceu para esta missão, sempre pensando louvar Deus no martírio. Chegaram a Moçambique em 4 de Fevereiro de 1560. Dali seguiram para Inhambane e Tougue. Gonçalo da Silveira achou-se mal na viagem, mas o rei Gamba recebeu-o muito bem, dando licença que baptizasse quem quisesse.


Baptizou o Rei de Tougue e a Rainha, impondo-lhe a ele o nome de Constantino, em homenagem ao Vice-rei da Índia e à rainha o nome de Catarina.


Chamados para a Índia, em Moçambique sofreram uma violenta tempestade e no areal foi celebrada uma missa. O seu alvo era alcançarem o reino do Monomotapa a fim de converterem o seu povo.
Chegado ao Palácio foi recebido com alegria, num aposento onde não entrava ninguém. Ali o rei o fez sentar numa alcatifa no meio dele e de sua mãe, perguntando-lhe o queria: vacas, ouro, mulheres ou terras? Padre Gonçalo disse-lhe: -Nada preciso dessas coisas, mas de sua alteza.


Recolheu, então, Gonçalo da Silveira numa casinha, na qual improvisou um altar e dizia missa diante de uma imagem da Virgem, que levara de Goa. O rei, que ouvira dizer que ele tinha lá uma mulher bonita, foi logo lá indagar. O Padre Gonçalo disse-lhe: - É a mãe de Deus. À visto disto o rei fez-se Cristão e sua mãe, tendo sido baptizados numa solene cerimónia e pondo-lhe o nome de D. Sebastião em honra do rei de Portugal, e a sua mãe D. Maria. Foram ainda baptizadas mais 300 pessoas.


Este triunfo despertou ódio nos mouros ricos, que convenceram o rei a ordenar a sua morte. Alguns dignitários da corte, não querendo ser baptizados, foram dizer ao rei que o Padre Gonçalo vinha mandado pelo Governador da Índia para espiar a terra, matá-lo e tomar conta do seu reino. O povo foi também acusá-lo, injustamente, de feiticeiro traidor e que trazia mezinhas para tomar a terra. Todos estes embustes causaram ao monomotapa uma grande confusão e resolveu acabar com o bondoso Padre Silveira.


António Caiado que era uma espécie de embaixador junto do rei, ainda foi falar com ele e com sua mãe, mas de nada valeu.


Numa noite os inimigos esperavam que o Padre se deitasse na esteira e entraram 8 cafres, sendo um deles o Mocurume, que algumas vezes tinha comido com ele e era de família real, que logo se pôs sobre o peito da vítima. Levantaram-no no ar e lançaram-lhe uma corda ao pescoço para o afogarem. Foi depois arrastado para o rio Mosenguese, no qual o lançaram para que não deixasse peste na terra aquele homem tomado por feiticeira e era um verdadeiro santo. Os moços que estavam fugiram para o mato e viram o sangue no caminho e em casa um crucifixo feito em pedaços, tudo isto desenrolado em plena Quaresma.


Três dias depois, os portugueses que ali permaneciam foram dizer ao rei que nunca deveria mandar matar um santo e pessoa tão nobre e que da Índia poderia vir uma armada para o destruir. Ele lançou a culpa aos mouros, quatro dos quais mandou matar e outros fugiram.

Conta uma lenda que nas serras do monomotapa foram encontradas aves enormes, de brancas penas, num pau muito grosso e comprido. Os moradores dali próximo diziam que o pau estava ali há muito tempo e para lá fora levado por uma cheia no rio com um corpo de um homem branco vestido de negro. Tigres e outros animais o levaram para aquela brenha e ali o guardavam; só àquelas aves era consentidos porem-se nele para descansarem e nele faziam uma suave melodia que muita gente apreciava. As pessoas diziam que tal corpo seria de um grande santo, que se chamou Padre Gonçalo da Silveira.


O mais provável, refere um relatório do Pe. Fróis, era que o Padre Gonçalo fora lançado ao rio e certamente comido pelos crocodilos.
A morte deste santo causou espanto e indignação em toda a Europa e também em Goa. Em Portugal o rei D. Sebastião ficou tão consternado que até ordenou mandar uma expedição punitiva contra o Monomotapa, o que pouco ou nada valeu.


A. Wilmot que escreveu um livro sobre o Monomotapa e investigou o processo da beatificação do Pe. Gonçalo, interessou-se pelo prosseguimento e percebeu que o melhor caminho, uma vez que foi martirizado em possessões portuguesas era que a petição fosse feita por portugueses. Passando por Lisboa encontrou certas hostilidades e havia um defeito de formalidade canónica que implicaria um reexame do processo de 1630. Na reabertura do Concílio Vaticano II, D. Sebastião Soares de Resende, primeiro Bispo da Beira – Moçambique renovou o pedido da glorificação canónica do Padre Gonçalo. Mais recentemente o primeiro Núncio Apostólico em Moçambique 1996 – 99 mostrou-se muito interessado em levar aos altares o Pe. Gonçalo, mas as informações vindas da Cúria em Roma não foram animadoras.


Há muito pouco tempo, buscando, eu também este caso, na Internet. li o seguinte: O Padre Gonçalo da Silveira é reconhecido como Venerável, estando já introduzido o processo da sua beatificação.” Que assim seja. Pelo que sabemos, o Padre Gonçalo da Silveira, martirizado como foi, bem merece ser canonizado e exaltado perante toda a Humanidade, como exemplo de Vida, de BEM, de FÉ e Martírio e até ser uma honra para Portugal o seu nome odorar perfumes em terras de Almeirim onde nasceu e em Góis, onde permanecem seis pais e mais ascendentes em sepulcro artístico na Igreja Matriz, considerado Monumento Nacional muito apreciado.

Por Pe. Francisco Correia
Pesquisa de Clarisse Barata Sanches



Notas da Biografia de um Mártir, escrita pelo Pe. Francisco Correia, sj
Em "O Venerável Gonçalo da Silveira"
Pesquisa de Clarisse Barata Sanches
Agosto de 2007
Góis – Portugal
in Jornal Mundo Lusíada online

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