quarta-feira, 6 de junho de 2007

GóisArte 2007

O GóisArte é uma mostra Internacional de Arte, que se realiza anualmente, na Vila de Góis (Portugal).

O GóisArte 2007 decorrerá sob o signo “Monsenhor Nunes Pereira”, ano em que se comemora o Centenário do seu Nascimento.

“O génio e a arte aliaram-se no grande homem, padre e artista que foi Augusto Nunes Pereira, para produzirem abundantes e saborosos frutos e para deliciarem os interessados e apaixonados pela beleza e pela arte.”

Informação:
Os trabalhos a expor deverão ser acompanhados de ficha de inscrição até 22 de Junho. Os artistas serão informados da decisão do Júri até 06 de Julho e devolvidas as obras posteriormente.


A EXPOSIÇÂO decorrerá na CASA DO ARTISTA entre 13 e 29 de Julho.



CONTACTOS:

Câmara Municipal de Góis
Praça da República
3330-310 Góis

Tel: 235 770 110
Fax 235 770 114
Email: correio@cm-gois.pt

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domingo, 3 de junho de 2007

“Monsenhor Nunes Pereira: percursos de uma vida”


A Casa do Artista de Góis assinala o centenário de Monsenhor com uma exposição fotográfica da autoria de José Maria Pimentel a mostra intitulada “ Monsenhor Nunes Pereira: O percurso de uma vida”

Criada com o apoio da Delegação Regional de Cultura do Centro, a mostra vai estar em Góis ate 17 de Junho seguindo depois para o concelho de Arganil onde é apoiada pela Câmara Municipal e pela Junta de Freguesia de Coja, (29 de Junho a 15 de Julho). Posteriormente vai estar no concelho natal de Monsenhor Nunes Pereira, Pampilhosa da Serra, (27 de Julho a 15 de Agosto) e por último, vai ainda ficar patente nos municípios de Montemor-o-Velho, (1 de Setembro a 16 de Setembro) e em Coimbra (27 de Setembro a 17 de Outubro), contando em todos estes municípios com o apoio das respectivas edilidades e também com o apoio do INATEL.
A cerimónia de inauguração na Casa do Artista em Góis teve lugar na passada sexta-feira e deixou «muito satisfeita» a vice-presidente da autarquia Goiense pela «inclusão de Góis no roteiro definido para a homenagem a tão ilustre figura da nossa cultura regional, cujo génio ultrapassou fronteiras».
Segundo Helena Moniz o município «orgulha-se» de participar na iniciativa de comemorar o centenário do nascimento de Monsenhor Nunes Pereira, «um ilustre filho da Beira Serra» que percorreu, «ao longo da sua vida, muitas vezes os caminhos do concelho de Góis criando aqui laços afectivos com as pessoas».
A arte de Monsenhor Nunes Pereira, «o padre, o artista, o jornalista, o pedagogo», representou e, de acordo com a vice-presidente, «representará sempre a materialização artística da história, das raízes, do amor à terra que nos viu nascer», recordando desta forma a «marca» que também deixou no concelho de Góis.
«Decidiu captar a paisagem deslumbrante da ponte antiga de Góis, e também deixou marca na Capela de Ponte Sótão, através dos seus belíssimos vitrais». Além disso, segundo Helena Moniz, Góis «ainda lhe agradece alguns trabalhos de investigação arqueológica como é o caso da Pedra Letreira, na freguesia de Alvares».
António Pedro Pita, tem no entanto, «sérias dúvidas se fomos justos relativamente à dimensão da obra» de Monsenhor Nunes Pereira, justificando essas incertezas com o simples facto de que na sua opinião, «duvida-se sobre o efectivo conhecimento de personalidades e principalmente das obras daquelas pessoas que conhecemos com muita proximidade», pois «a proximidade perturba e dá um conhecimento imaginário».
O director Regional de Cultura do Centro lembra também que as «imagens que estão aqui e muitas outras fazem parte de uma obra magnifica editada há já alguns anos», acrescentando no entanto que «o nosso propósito foi construir com imagens publicadas uma exposição inédita».
Tratava-se segundo António Pedro Pita de «dar a ver aquilo que nós nunca vimos no que realmente vimos», afirmando que a «fotografia tem um pacto com o futuro», como tal «quando nenhum de nós for vivo e estas fotografias sobreviverem, quando a sua memoria for mais velada do que é hoje o que encontraremos em fotos como estas é o que é verdadeiramente um olhar, o que é o trabalho de mão, o tocar do objecto», pois recorda «isso é o que temos em muitas destas imagens».
Por seu lado, para José Maria Pimentel, Monsenhor Nunes Pereira, «continua vivo através disto», considerando que o artista «foi um exemplo para todos nós». O autor da exposição afirma que apesar desta exposição já ter sido apresentada em Coimbra há cerca de seis anos atrás «em Góis acabou por ser montada de uma forma que tem mais a ver com o Monsenhor, porque foi sempre assim que o conheci, este espaço tem muito a ver com ele e com algumas fotografias que estão aqui expostas», explica o fotógrafo.
O exemplo de Nunes Pereira é o que Pimental chama de «viver até ao fim», pois acrescenta, «ele trabalhou por paixão a fazer o que gostava até ao fim da sua vida, isso é um exemplo para nós e é um exemplo de vida que está nestas imagens».
No final desta inauguração teve ainda lugar a visualização de um filme dedicado a «um Padre e um artista, das raízes de Fajão à Oficina-Museu em Coimbra», tendo sido em seguida celebrada uma missa de sufrágio em memória do artista.
in Diário de Coimbra, de 3/06/2007
Fotografia: Jornal de Arganil

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sexta-feira, 1 de junho de 2007

Homenagem a Monsenhor Nunes Pereira em Góis dia 1 de Junho

O Município de Góis vai realizar uma Cerimónia para Comemorar o Centenário do Nascimento de 'Monsenhor Nunes Pereira', a qual terá lugar no próximo dia 01 de Junho, na Casa do Artista em Góis, pelas 17.00 horas. O programa agendado é o seguinte:

17.00 horas – Inauguração da Exposição Fotografia “Monsenhor Nunes Pereira, Percursos de uma Vida” , de José Maria Pimentel
Patente de 01 a 17de Junho
Horário: 2ªa 6ª – 09.00h-12.30h/14.00h 17.30h
Galerias da Casa do Artista

17.30 horas – Visualização do filme “Filme “Monsenhor Augusto Nunes Pereira:
Um padre e um artista. Das raízes de Fajão, à Oficina-Museu em Coimbra.”
Auditório da Casa do Artista

18.30 horas - Eucaristia de sufrágio por Monsenhor Nunes Pereira
Igreja Matriz de Góis

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quinta-feira, 24 de maio de 2007

GóisArte 2007

O GóisArte é uma Mostra Internacional de Arte, que se realiza anualmente, na Vila de Góis (Portugal).

O GóisArte 2007 decorrerá sob o signo “Monsenhor Nunes Pereira”, ano em que se comemora o Centenário do seu Nascimento.


“O génio e a arte aliaram-se no grande homem, padre e artista que foi Augusto Nunes Pereira, para produzirem abundantes e saborosos frutos e para deliciarem os interessados e apaixonados pela beleza e pela arte.”





REGULAMENTO

BOLETIM DE INSCRIÇÃO

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Comemoração do Centenário do Nascimento de "Monsenhor Nunes Pereira"

O Município de Góis irá realizar uma Cerimónia para Comemorar o Centenário do Nascimento de "Monsenhor Nunes Pereira", a qual terá lugar no próximo dia 01 de Junho, na Casa do Artista em Góis, pelas 17.00 horas.


Programa

17.00 horas – Inauguração da Exposição Fotografia “Monsenhor Nunes Pereira, Percursos de uma Vida” , de José Maria Pimentel

Patente de 01 a 17de Junho

Horário: 2ªa 6ª – 09.00h-12.30h/14.00h-17.30h

Galerias da Casa do Artista



17.30 horas – Visualização do filme “Filme “Monsenhor Augusto Nunes Pereira:

Um padre e um artista. Das raízes de Fajão, à Oficina-Museu em Coimbra.”

Auditório da Casa do Artista



18.30 horas - Eucaristia de sufrágio por Monsenhor Nunes Pereira

Igreja Matriz de Góis
in www.cm-gois.pt

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terça-feira, 22 de maio de 2007

GóisArte'07 - Mostra Internacional de Arte, este ano dedicado a Monsenhor Nunes Pereira

A Câmara Municipal de Góis vem informar todos os Artistas que se encontram abertas até ao dia 22 de Junho, as inscrições para o GóisArte'07 - Mostra Internacional de Arte, este ano dedicado a "Monsenhor Nunes Pereira", ano em que se comemora o Centenário do seu Nascimento.

Mais informamos que o Regulamento e Boletim de Inscrição estão disponíveis no site da Câmara Municipal de Góis: www.cm-gois.pt
in Jornal de Arganil, edição electrónica

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domingo, 1 de abril de 2007

Comemorações do centenário do nascimento de Monsenhor Nunes Pereira em Góis

As comemorações estão a decorrer desde o dia 2 de Dezembro e prolongam-se até 2 de Dezembro de 2007 recordando uma das personalidades mais marcantes da cidade de Coimbra e da Região Centro, em diversos campos de actuação, designadamente, nas vertentes cultural, eclesiástica e social.
A evocação a Nunes Pereira - o Homem, o Artista e o Padre - pretende sustentar uma memória presente e futura, uma memória que sugere a fruição da cultura por todos os cidadãos, porque investe num tempo actual e futuro que deve pertencer à identidade colectiva.
Do vasto programa consta no dia 1 de Junho, pelas 18 horas, nas Galerias da Casa do Artista, em Góis, a inauguração de uma exposição de fotografia de José Maria Pimentel intitulada "Monsenhor Nunes Pereira, Percursos de uma Vida" (patente até dia 17 de Junho), seguida de palestra "Monsenhor Augusto Nunes Pereira - Testemunhos"; e pelas 19 horas, eucaristia de sufragio por Monsenhor Nunes Pereira, a celebrar na igreja de Góis.

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Monsenhor Nunes Pereira

Augusto Nunes Pereira nasceu a 9 de Dezembro de 1906 na Mata de Fajão, Pampilhosa da Serra. Foi o segundo de quatro filhos. Seu Pai, escultor santeiro, faleceu quando Augusto tinha, apenas, 9 anos. "Dele herdei este jeito para as artes e um razoável conjunto de ferramentas, com as quais iniciei a minha aprendizagem manula: plainas, serras, formões, goivas e o mais da arte".
Em 1919, entrou no Seminário de Coimbra, tendo sido ordenado sacerdote, em 28 de Julho de 1929.
Entre Outubro de 1929 e 1935, foi nomeado Reitor da freguesia de Santa Maria de Alcáçova, Montemos-o-Velho. No período de 1935 a 1952, foi pároco de Coja; e de São Bartolomeu, COimbra, entre 1952 e 1980.
Na diocese de Coimbra, foi Vigário Geral, cerca de quatro anos, com o Bispo D. João Saraiva e D. João Alves.
De 1952 a 1974 foi redactor do "Correio de Coimbra", tendo realizado "muitas dezenas" de gravuras para este jornal.
A partir de 1958, dedicou-se à aguarela, após viagens a Paris, Itália, Alemanha e Holanda.
Desenhava, com rapidez, à pena, esculpia, pintava e, dados os seus conhecimentos na área da madeira, aprendeu, numa tarde, a técnica da gravura em metal com José Contente.
"Na base de todos os meus trabalhos está, sem dúvida, o desenho.
Desenho em casa, na rua, nos cafés, nas reuniões, nos almoçoas. O meu desenho, salvo o que faço no gabinete, é um desenho de viagem, aproveitando ocasiões e às vezes escassos minutos".
Dominava igualmente a técnica do vitral, tendo executado o seu primeiro trabalho na capela da Casa de Saúde de Santa Filomena, em Coimbra; seguiram-se outros em Vila de Rei, na Capela de Montalto em Arganiol, nas Igrejas de Santa Maria de Celorico da Beira, de Manteigas, de Ponte Sótão (Góis), Ponte da Barca, Cardigos, Guarda-Gare, Paleão (Soure), Carnide (Pombal), etc..
Preferiu, contudo, os trabalhos de xilogravura, desenhos artísticos a buril, água forte, ponta seca e lápis. Executou gravuras em madeira, cobre, . lousa, marfim, calhau rolado "Privado das arestas, polido e quase envernizado, é um belo material oferecido à imaginação do escultor que chegado a esta idade vê nele o símbolo do seu próprio batalhar na vida: São conhecidos os seus painéis de madeira da Igreja da Tocha, de Bustos, de Coja, do Seminário Maior de Coimbra e outros, bem como as Vias-Sacras de Colmeias (Leiria), Igreja de Nossa Senhora de Lurdes (Coimbra), Colégio de São Teotónio (Coimbra) e Ansião. De Monsenhor Nunes Pereira são ainda conhecidos trabalhos em ferro forjado nas Igrejas do Cardal (Pombal), Ponte Sotão (Góis) e Arganil.
Para os Museus de Fajão, do Seminário Maior e da Capela das Minas da Panasqueira,executou gravuras em lousa.
As xilogravuras dos Contos de Fajão, a par de gravuras de Jesus, de Santos e do culto mariano, constituem um valioso espólio etnográfico e de Arte Sacra do Museu do Seminário Maior de Coimbra.
Colaborou no estudo de monumentos, na valorização do património arqueológico da Igreja de São Bartolomeu, e investigou sobre os túmulos e o púlpito de Santa Cruz, tendo colaborado no inventário cultural de Arte Sacra da diocese de Coimbra.
Realizou várias exposições no país e no estrangeiro, salientando-se: Secretariado Nacional de Informação (Lisboa), São Paulo (Brasil), Sociedade Nacional de Belas Artes (Lisboa), Instituto de Antropologia da Universidade de Coimbra, Movimento Artístico de Coimbra, Ateneu Comercial do Porto, Galie Arte e Livros (Luxemburgo), Jean L 'Hôte (Nancy), Palácio Foz (Lisboa), Ilha de S. Miguel (Açores), Vigo (Espanha). Contactou com os mestres Pietro Pariggi, em Florença e André Jaquemin, em Épinal.
Em Coimbra e em Coja, dedicou-se à ocupação de jovens em actividades culturais, tendo-lhe sido concedido o título de Presidente Honorário da Sociedade Recreativa e Progresso da Mata (Fajão).
A Câmara Municipal de Coimbra atribuiu-Ihe, em 1986, a medalha de Ouro da Cidade.
No mesmo ano, fói homenageado na Casa Municipal da Cultura de Coimbra com uma exposição retrospectiva da sua obra.
Possui numerosos artigos, poemas e ilustrações em jornais, catárogos, opúsculos e monografias.
Actualmente, dirige o Museu de Arte Sacra instalado no Seminário Maior de Coimbra, continuando a desenvolver a sua actividade artística.
Por entre o assobiar do vento, o riso dos pássaros e o majestoso rigor do xisto e do granito, nasceu a 9 de Dezembro de 1906 em Fajão, Pampilhosa da Serra, um menino a quem, inspiradamente, foi dado o nome de Augusto.
Filho de Ana Gomes e de António Nunes Pereira herdou de seu pai duas goivas e um buril, e um talento inconformado que procurava no cepo de madeira os traços de-qualquer homem e até mesmo de um santo. Da mãe, recolheu o menino a vontade de olhar para a transparência do azul e a intimidade luminosa do sol-pôr, para o cume das montanhas, para a água e a graça eterna e leve de tudo quanto era marcadamente feminino.
Lá foi para a escola esta criança de olhar perdido e observador que desenhava, desenhava sempre, nos cadernos, na ardósia, nas páginas em branco do livro de leitura. Os companheiros sorriam e barulhavam e os traços mágicos de Augusto recriavam figuras humanas ou de bichos, de casas, de pastores, de extraordinárias aventuras. De vez em quando, abria um pequeno canivete e era vê-lo a cortar,a raspar,a afilar bocas, narizes e orelhas, a abrir olhos e feições por entre a carrasca e o pau de laranjeira.
O menino cresceu. Cresceu, fez-se homem e padre. Escolheu estar no mundo e seduzi-lo através da palavra, da escrita, da pintura, da poesia, da arte. Pegou decidido, firme e impetuoso, em goivas e buris, abriu e rasgou a madeira, e obrigou-a a gerar um encantamento sem fim.
E brotaram, ao longo dos anos, figuras mansas e divinas, Cristos e Virgens, Apóstolos, anjos e arcanjos, deuses e demónios, louvores e narrativas.
Mas, por entre o trabalho de Nunes Pereira persiste, ainda e sempre, a beleza instante e única de um corpo de mulher.
Paulino M. Tavares (http://www.ccr-c.pt/dmf/ )

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quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Monsenhor Nunes Pereira recordado

Um monumento, exposições, concertos, passeios turísticos, celebrações eucarísticas e uma sessão solene assinalam o centenário do nascimento de monsenhor Nunes Pereira. Ao longo de um ano, as comemorações dividem-se entre Coimbra, Montemor-o-Velho, Góis, Arganil e Pampilhosa da Serra.

Se estivesse vivo, monsenhor Nunes Pereira completaria 100 anos no dia 2 de Dezembro. Para assinalar a data, um conjunto de entidades, com a Câmara Municipal de Coimbra a liderar a Comissão Executiva, organizaram um programa comemorativo do centenário, que se prolongará ao longo de um ano.
Entre 2 de Dezembro deste ano e 2 de Dezembro de 2007, presta-se homenagem ao «homem, ao artista e ao padre», com um conjunto de iniciativas que se divide entre Coimbra, Montemor-o-Velho, Góis, Arganil e Pampilhosa da Serra, concelho de onde monsenhor é natural.
Na conferência de imprensa de apresentação do programa do centenário do nascimento de Augusto Nunes Pereira, recordaram-se histórias e memórias do homem que nunca deixou de conciliar a vida sacerdotal com as artes, desde a poesia à escultura, passando pelo desenho, a aguarela, o vitral e xilogravura.
Na recordação de Aurélio Campos, representante da Diocese de Coimbra, permanece o «homem extraordinário», que se distinguia pela «disponibilidade e alegria que punha ao serviço dos outros». Com um sorriso, lembra a viagem de Madrid a Coimbra, que não demorou menos de cinco horas, em que Nunes Pereira e outro passageiro passaram os mais de 500 quilómetros a travar um diálogo ao desafio. «Era um homem com um potencial de criatividade enorme», recordou Aurélio Campos, salientando ainda que, cerca de sete meses antes de morrer, o padre/artista venceu um concurso de poesia em Fajão, na sua terra-natal. Na mesma ocasião, voltou a merecer aplausos por «manter um diálogo de improviso de 20 minutos de fado popular».
Com as celebrações, recorda-se também a obra, ainda que Aurélio Campo considere «impossível» saber a totalidade das criações do monsenhor. «Só esculturas em madeira da ceia do Senhor fez mais de 100», frisou.
Aguarelas também não faltam. Que o diga o padre João Castelhano, que manteve com Nunes Pereira um «contacto diário» durante cerca de 20 anos na Igreja de S. José, sem esquecer as férias no Algarve. Nesse período, recordou o pároco, Nunes Pereira tinha a “missão” de criar, pelo menos, uma aguarela por dia. Nem sempre apenas baseadas na paisagem da praia, mas também de quem a frequenta, porque, dizia, «a beleza é a que foi criada por Deus, o resto são farrapos».
Entre a obra do monsenhor, João Castelhano destaca o vitral da Igreja de S. José, que, começou a ser instalado no dia do funeral do autor. E é, precisamente, na igreja onde celebrou eucaristia «até oito dias antes da morte», que se iniciam as comemorações do centenário, no dia 2, às 21h00, com a conferência “Vida e obra de monsenhor Nunes Pereira”, seguida da actuação do Grupo Coral de Santa Cruz de Coimbra.
João Castelhano não tem dúvidas: A dedicação à espiritualidade, o «jeito de viver a fé», a sabedoria da vida dos santos transformaram-se no «modelo» do pároco de S. José, que vê em Nunes Pereira o «mestre que gostaria de imitar».
A Delegação Regional da Cultura do Centro não fica de fora da comissão executiva, de que fazem também parte as câmaras de Coimbra, Arganil, Montemor-o-Velho, Pampilhosa da Serra, juntas de freguesia de Fajão e Côja, Seminário Maior de Coimbra, Movimento Artístico de Coimbra (de que o monsenhor é fundador) e Inatel. «Eu não estou certo que nós conheçamos muito bem o que está mais perto», salientou António Pedro Pita, acrescentando que Nunes Pereira era uma «figura familiar» para muitos, que supunham também conhecer a sua obra. «Mas, não estou certo que conheçam de facto», concluiu.
in Diário de Coimbra, de 22/11/2006

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