segunda-feira, 27 de agosto de 2007

10 mil motards assentaram arraiais


A nova “Geraldina” está nas mãos de Paulo Sousa desde Abril. Trocou a «1400» de há largos anos por um modelo mais recente e veio de França para a XIV Concentração Mototurística de Góis.


Este Verão nenhum casamento o impediu de estar entre os 10 mil motards que instalaram tenda no Parque do Baião. Desde 2006 que andava piscar o olho à mota, mas as condições financeiras não permitiam. O objectivo era tê-la antes do “24 h Le Mond” onde vai há 11 anos. Estima-a como pode, mas sem grandes exageros, quando tem tempo faz uma limpeza cuidada, quando não tem, afirma o motard “prefiro é meter a chave e esperar que ela funcione sempre”. Infelizmente não chegou a horas de ver os UHF, responsáveis pelo nome da sua mota. “Geraldina justamente por causa de uma música do meu amigo António Manuel Ribeiro, que é a Geraldina”, esclarece.

As motas são uma paixão desde os tempos de miúdo, que partilha com os três irmãos. “Tenho isto no sangue”, diz. Teve pena de não trazer o filho, já que a paisagem e o rio estavam convidativos e não raras vezes viu famílias a desfrutar na Natureza. A mulher também sabe conduzir mas não tem pegado na mota devido aos filhos, de qualquer forma quer trazê-la para a XV Concentração de Góis. “Tenho lá uma mota à espera dela, para vir comigo. Assim, eu trago um puto e ela traz o outro”. Esta acaba por ser a solução ideal, já que se as concentrações são muitas a mulher não gosta, “fica assim um bocado coisa...” tenta explicar, rindo-se. Veio sozinho, mas acabou por conhecer Marco Fernandes, ao pé de quem, por convite, assentou arraiais. Este é de Abrantes e viajou até Góis, cuja Concentração é a que mais gosta. “Eu adoro isto, adoro motas, a paisagem é agradável, o cheiro da Natureza é gostoso. Prefiro vir para aqui do que para Faro”, justifica. A mota, porém, não estava à vista. Apesar de já ter «encaminhado» duas para a sucata e confessar que os motards são aceleras, quando se trata de Concentrações ela fica estacionada. “Nestas coisas gosto de vir na paz do Senhor, chegar bem aqui e em casa”. Aliás, prossegue, “isso é mesmo o espírito motard, porque se nós formos para as bebedeiras e fizermos maluqueiras, deixamos as motos de lado”.

De mais perto veio Ana Pereira. 36 anos, de Coimbra, é motard desde os 18, mas com mota emprestada. Os pais não eram a favor, mas sem eles saberem arranjava maneira de ir às Concentrações. Com o namorado e amigos aproveitou a tarde descontraída de «copos» no Cerejal. “É altamente vir às concentrações. Estamos à vontade, não temos de nos preocupar com roupa, comemos à hora que queremos, o pessoal não atrofia”, frisa, dizendo que a mota fica parada no parque, “é complicado com copos”. Prefere a de Góis à de Faro, uma questão de convívio. “Em Faro o pessoal estende-se para a praia, aqui somos obrigados a estar a conviver mais uns com os outros”.



25 mil viram Xutos & Pontapés

Segundo a organização 25 mil pessoas estiveram no Parque do Baião. Um problema técnico fez o público esperar uma hora para ver Tim, Zé Pedro, João Cabeleira, Kalú e Gui. Tal como havia explicado Zé Pedro ao Jornal de Arganil o concerto iria surpreender com algumas músicas novas. “Temos muitas músicas escolhidas pelos fãs, portanto temos uma primeira pate do concerto onde se calhar a maior parte das pessoas não conhece a grande parte das musicas que vamos tocar. Mas é sempre bom fazer um alinhamento mais surpreendente para as pessoas”, disse. De facto aconteceu, mas a reacção não foi a mais entusiasmante. Houve quem dissesse que o verdadeiro concerto começou no primeiro dos três encores, dado que as músicas que realmente fizeram saltar o público eram clássicos como “Contentores”, “Casinha” ou “Para ti Maria”. A comunhão entre Xutos e plateia aconteceu com “Ai a p*** da minha vida”, com os fãs a tentarem gritar sem mais poder, ora com Kalú a tentar «puxar» por eles, ora eles a tentar «puxar» por Kalú.

Ao fim de duas horas de concerto, as luzes finalmente acenderam-se, tendo-se cumprido o dever Xutos.



Numa breve entrevista antes do concerto, Zé Pedro dos Xutos e Pontapés, falou ao Jornal de Arganil e identificou o espírito motard com o da banda

Jornal de Arganil - Não é a primeira vez que Xutos tocam em Góis, quando foi a última actuação?

Zé Pedro - Acho que foi há dois anos, fomos convidados e este ano outra vez.

JA- Na altura como correu?

ZP - Muito bem. Foi um ambiente fantástico, tocamos em Faro alternadamente com o de Góis e acho que são as duas maiores concentrações.

JA - Agora os Xutos & Pontapés apostam mais nas novas músicas, nos concertos?

ZP - Não. Felizmente temos bastantes músicas, eu até tenho impressão que a maior parte do espectáculo são músicas bastante antigas que não tocávamos há muito tempo. Temos quatro alinhamentos diferentes, não sei qual é o de hoje sequer. Quando chegar em cima do palco é que vejo.

JA - Sente que os motards são grandes fãs dos Xutos & Pontapés?

ZP - Eu acho que sim, pelo menos as concentrações tanto de Góis, como de Faro, têm-nos corrido sempre bem. Tenho impressão que há uma boa apetência, mas também os motoqueiros são um bocado roqueiros e talvez o nosso tipo de música tenha muito a ver com eles. Em Faro por exemplo, os estrangeiros gostam imenso de nos ver tocar. Acho que a nossa atitude também tem um bocado a ver com rock n' roll e os mostards também.

JA - Têm uma carreira com mais de vinte anos, como é subir ao palco actualmente?

ZP - É óptimo. É uma maneira de estar na vida, acho que é uma adrenalina especial, um gosto especial andar na estrada. Acima de tudo, somos uma banda que tem muito mais de palco do que propriamente de estúdio.
in Jornal de Arganil, de 23/08/2007

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