quinta-feira, 5 de abril de 2007

Percurso Pedestre pelas Cumeadas da Lousã

O Concelho de Góis apresenta magestosas serranias de elevadas colinas xistentas cortadas por imponentes cristas quartzíticas. Os panoramas grandiosos como os que se contemplam do Alto de Trevim, Cabeço da Aigra ou Penedo de Góis não deixarão indiferentes os caminheiros que por aqui passem.

A vila de Góis, sede de concelho do distrito de Coimbra, situa-se nas margens do Rio Ceira, a nordeste da Serra da Lousã, tendo como cenário alpestre o alcantilado quartzítico do Penedo de Góis (1045 m). Localizada nos terrenos aplanados da fértil bacia hidrográfica do Ceira, a vila quinhentista desenvolve-se na margem direita do rio, na base da Serra do Rabadão (extremidade Oeste da Serra do Açor), e o Bairro de S. Paulo estende-se na margem esquerda, junto das faldas da Serra do Carvalhal (começo Este da Serra da Estrela). A ligar as duas áreas urbanas está a corcovada "Ponte Real" do século XV.
O percurso, que irá levar às cumeadas da Lousã, inicia-se junto do sopé dos Penedos de Góis, no pequeno povoado de Ribeira de Cima. Saindo dessa povoação, pela estrada que conduz à aldeia da Pena, vira-se à esquerda, em direcção ao alto penedo rochoso, por estrada xistenta, monótona e em mau estado que conduz, em zig-zag, até ao topo. Chegados ao ponto cotado 873 m faça-se uma paragem para admirar as extensas panorâmicas que se estendem em redor: colinas xistentas, densamente florestadas por pinhais ou arrasadas pelos fogos.
Caminhando para sul, no topo da crista, por entre colorido urzeiral e amplas paisagens, a pureza do ar da montanha acompanha-nos nesse alteroso percurso por entre penedos quartzíticos. Do cimo do Carvalhal (996 m) desce-se a encosta xistenta e, após o colo onde se situa o cruzamento da estrada que liga a Povorais, sobe-se até ao vértice geodésico Picos (1131 m) e, daí até ao marco geodésico Neve (1172 m).
Mais à frente, deparamos com a Capela de Santo António (mamdada construir pelo neveiro Julião Pereira de Castro, em 1786) e os edifícios cilíndricos que ocultam os antigos poços de neve. Esses poços forneciam a neve que era transportada até à capital do reino para delícia de reis: a realeza derretia-se pelas neves da Serra da Lousã! Local de grande interesse não poderá dispensar uma paregem para apreciar estes vestígios dos primórdios da gelataria e repousar um pouco.
Seguindo pela estrada que sobe ao cimo da Serra da Lousã, o Pico do Trevim (1204 m), vira-se à direita em direcção a Aigra Velha. Depois de percorrer o Penedo da Orgueira e chegar ao Cabeço da Aigra (899 m) vislumbra-se, lá em baixo, uma bonita aldeia de xisto e lousa. Esse pequeno povoado de montanha, Aigra Velha, com cerca de meia dúzia de casinhotas de dois pisos e lintéis castanhos, situa-se no colo da linha de cumeada Lousã-Cabeço de Aigra-Sotão (a cerca de 765 m de altitude) defronte de cenário grandioso onde se destacam os Penedos de Góis e a aldeia de Povorais.
As estevas e as urzes não abandonam esse trajecto cumeeiro a perder de vista. De facto, os urzais ou urzeirais são as formações arbustivas que se encontram nas áreas elevadas, constituindo um estrato arbustivo de grande variedade florística: Urze-branca, Urze-vermelha, Torga, Queiró ou Giestas. Somente nos terrenos pouco espessos e áridos das altas cumeadas de xisto, a Esteva dá lugar a povoamentos estremes de Rosmaninho.
De Aigra Velha à aldeia da Pena desce-se por estrada florestal que nos leva até junto dessa povoação à beira-rio. As casas de dois pisos, construídas com xisto e telhados de lousa, surgem perfeitamente integradas na paisagem. No piso térreo colocam-se as alfaias, lenha e gado. Em cima, situa-se a cozinha e o dormitório com algum esconso superior para guardar diversos produtos agrícolas.
A Ribeira da Pena que corre em cristalinas águas abrindo profunda garganta até se juntar, mais abaixo, ao Rio Sotão convida-nos a um gratificante mergulho. Da típica aldeia da Pena até ao final do percurso, em Ribeira de Cima, o caminho decorre altaneiro sobre as ravinas desse curso de água, sendo de destacar a exploração mineira, actualmente desactivadas e cujas marcas são demasiado visíveis para passarem despercebidas. Como esse caminho é curto e fácil, aproveite-se a paragem junto da bucólica aldeia da Pena para experimentar as águas da ribeira que por aí corre entre blocos de quartzito. Bons banhos!


Extensão: 16937 m
Duração média: 5:20
Dificuldade: nível IV
Desnível acumulado: +682m, -602m
Altitude média: 850 m
Paisagem: montanha coberta de urzeiral
Época aconselhada: todo o ano
Acessos: via Coimbra (EN17 e EN2) até se atingir a Ribeira Cimeira, passando por Esporão (EN1378)
in Guia Percursos Naturais, Forum Ambiente

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1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Fiz em 99, a partir deste exacto texto do Guia de Percursos Naturais do Forum Ambiente. Com muita, muita chuva, o que até deu um certo ambiente místico ao percurso. Do melhor. Recomendo!

18 dezembro, 2007 15:10  

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