sexta-feira, 4 de maio de 2007

Medo do medo, de Abílio Bandeira Cardoso

Meu corpo a ferro e fogo marcaste
No teu fogo, minh'alma se fez imolar
Sacrifiquei-me sobre o teu altar
Morri no olhar com que me deixaste.

O tosco rito cerimonial que preparaste
Foi pequeno demais para poder alcançar
O tamanho do que estavas a deixar.
Com ele morreu o amor que criaste.

Anos passaram e como até aquele dia
Continuas a matar, impedes-me de crer
Minh'alma, no fogo, ficou incrente e fria

Procuro uma alma a quem me prender
Com quem possa deixar de vez a agonia
Do medo que tenho de também a perder...

Abílio Bandeira Cardoso

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